Curso da reuniu profissionais latino-americanos para formação em biossegurança e atuação em ambientes de alta contenção
Legenda: Participantes realizam atividades práticas no laboratório de treinamento do CNPEM durante capacitação em alta contenção biológica. (Créditos: Divulgação/CNPEM)
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) recebeu, entre os dias 10 e 21 de agosto, profissionais de diferentes países da América Latina para uma capacitação voltada à atuação em laboratórios de alta contenção biológica (NB-3). O curso, promovido no âmbito do Centro Latino-Americano de Biotecnologia (CABBIO), foi sediado no laboratório de treinamento situado no campus do CNPEM, em Campinas (SP).
Com 80 horas de duração, a programação combinou conteúdos teóricos e atividades práticas sobre biossegurança e biocontenção. Na infraestrutura de treinamento do CNPEM, os participantes puderam vivenciar procedimentos e situações relacionados à rotina de laboratórios de alta contenção, além de trocar experiências com profissionais de diferentes instituições e países.
Para Nicole Tischler, pesquisadora chilena e uma das docentes da capacitação, a possibilidade de transformar os conhecimentos teóricos em experiências práticas é um dos diferenciais da formação. “O espaço simula um verdadeiro laboratório de biocontenção e permite utilizar os equipamentos de proteção individual. Assim, não ficamos apenas na teoria: é possível colocar em prática o que foi discutido e desenvolver segurança e pensamento crítico antes de atuar em um laboratório de biocontenção.”
Entre os participantes brasileiros estava Isabela Lemos de Lima, pós-doutoranda da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A instituição acaba de construir um laboratório de NB-3, ainda em fase de preparação para entrada em operação. “Estamos justamente na fase de capacitação, buscando informações para estabelecer os processos e os treinamentos de biossegurança. Participar deste curso é uma oportunidade ímpar de levar esse conhecimento para a instituição e contribuir para colocar o laboratório em operação.”
A troca de experiências entre diferentes países também foi destacada por Javier Ayala, do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (SENACSA), do Paraguai, que atua na área de diagnóstico laboratorial. “O treinamento foi muito enriquecedor porque tive a oportunidade de trocar experiências com outros colegas, conhecer como trabalham em outros países e continuar a capacitação na área de diagnóstico laboratorial.”
Entre os conteúdos que mais chamaram sua atenção, Javier destacou a análise de risco e uma atividade prática de resposta a um acidente simulado. “Muitas vezes confiamos em nossas capacidades técnicas, mas acidentes podem acontecer no dia a dia. Parte da experiência profissional também está em saber como reagir. A prática nos permitiu avaliar como respondemos a essas situações e identificar o que ainda podemos melhorar.”
Ao sediar a capacitação, o CNPEM colocou à disposição dos participantes uma infraestrutura dedicada à formação em biossegurança e biocontenção. O espaço proporciona atividades práticas em ambiente controlado e favorece o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre profissionais do Brasil e de outros países, como ocorreu nesta capacitação, que reuniu participantes de diferentes países da América Latina.
A formação de profissionais altamente capacitados é um dos aspectos fundamentais para a operação de infraestruturas de alta e máxima (NB-4) contenção biológica. Por essa razão, antes mesmo do início da operação do Orion, o CNPEM conduz o Programa de Treinamento & Capacitação em Laboratórios NB-3 e, futuramente, NB-4. Inédita no País, a iniciativa busca desenvolver competências ainda pouco difundidas no Brasil e em outros países da América Latina, contribuindo para ampliar a capacidade de atuação nesses ambientes.
Sobre o programa
Ainda antes da inauguração do projeto Orion – complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, o CNPEM conduz um Programa de Treinamento & Capacitação em infraestruturas de alta e, muito em breve, máxima contenção biológica inédito no Brasil. Voltado à formação de recursos humanos em competências ainda pouco desenvolvidas no Brasil e nos demais países da América Latina, essa frente de ação visa apoiar a formação de potenciais futuros usuários do Orion e aprimorar a capacitação de equipes que já atuam em pesquisas e desenvolvimentos com patógenos.
O Programa inclui atividades teóricas e sessões práticas, realizadas em um laboratório de treinamento, espaço mock-up – uma cópia fiel das instalações reais de laboratórios NB-3 e NB-4. Neste espaço de simulação, pesquisadores em treinamento podem exercitar protocolos de segurança, sem a manipulação de materiais infecciosos ou risco de contágio, sob a supervisão de profissionais dedicados a conduzir avaliações individuais sobre protocolos de biossegurança.
Projeto Orion
O projeto Orion será um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Em construção na cidade de Campinas-SP, no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas a comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente. A execução do projeto Orion é de responsabilidade do CNPEM, uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.