Infraestrutura de alta velocidade amplia capacidade de processamento e transferência de dados para pesquisas de fronteira no Brasil
O CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) lançou, na quinta-feira (2), a conexão de 100 Gb/s da Rede de e-Ciência, infraestrutura da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) destinada a instituições que realizam pesquisas científicas de alta complexidade, com grande volume de processamento e transferência de dados. A nova linha estará em pleno funcionamento até o mês de dezembro.

Diretores-gerais da RNP e do CNPEM, Lisandro Granville e Antonio José Roque da Silva, e o secretário-executivo em exercício do MCTI, Hugo Valadares. Imagem: Danilo Rondina/Divulgação RNP
A recém-inaugurada infraestrutura conecta o CNPEM a uma rede nacional de instituições de pesquisa preparada para aplicações de “big science”. Entre as instituições integrantes estão o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), o Senai Cimatec e o próprio CNPEM, responsável pelo Sirius. Com a ativação da rede de 100 Gb/s, mil vezes mais rápida do que a velocidade média das conexões residenciais no Brasil, o CNPEM amplia sua capacidade de apoiar pesquisas estratégicas e fortalece a infraestrutura necessária para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.
A Rede de e-Ciência integra o Programa Conecta, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) executada pela RNP, com ações voltadas à conectividade avançada, redes de alto desempenho e compartilhamento seguro de dados. Para o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque, o projeto, em parceria com a RNP, abre novas fronteiras para a instituição.
“Estamos inaugurando aqui uma nova capacidade científica. Então, a rede de ciência vem trazer para o CNPEM, que realiza ciência de fronteira, uma capacidade, além do comum, para transferência de dados, processamento de dados”, afirmou Roque, acrescentando que a infraestrutura permitirá avanços importantes nas pesquisas em andamento. “Isso ajuda a alavancar a ciência que é produzida aqui no CNPEM.”
O diretor-geral da RNP, Lisandro Granville, destacou que a iniciativa representa um marco para a evolução das redes voltadas à pesquisa no país. “O CNPEM ser o primeiro desse grande sistema, dessa grande rede, é um orgulho muito grande.”
Granville ressaltou o impacto que a nova capacidade de conexão terá no processamento dos dados gerados pelo Sirius. “O que a ciência vai permitir é aumentar a velocidade em, pelo menos, um fator de 50 vezes em relação ao que era o PADEX lá no passado”, pontuou.
Segundo o diretor-geral da RNP, a infraestrutura será essencial para acompanhar o ritmo das pesquisas do CNPEM. “Agora a gente vai conseguir ter uma transferência de dados compatível com a velocidade da pesquisa, com a expectativa, que não somente a ciência, mas também a inovação precisa.”
A implementação da conexão envolveu equipes de infraestrutura e redes do CNPEM, engenheiros e técnicos da RNP e parceiros de outros laboratórios nacionais, responsáveis pelos testes e validações da nova capacidade computacional.
Durante a cerimônia, o secretário em exercício de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, Hugo Valadares, destacou que investimentos em infraestrutura são fundamentais para ampliar a capacidade científica do país e fortalecer sua presença em iniciativas internacionais de pesquisa.
“O Ministério atua criando políticas públicas, articulando recursos e promovendo as condições necessárias para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Quem transforma esse investimento em resultados concretos são instituições como o CNPEM e a RNP.”
Do PADEX à Rede de e-Ciência
A parceria entre CNPEM e RNP remonta a 2016, quando o Centro participou da implantação do PADEX (Processamento de Alto Desempenho Expresso), projeto que conectava o CNPEM ao supercomputador Santos Dumont, no LNCC, e foi um dos precursores da atual Rede de e-Ciência.
“Há cerca de dez anos, ainda durante a fase de construção do Sirius, já prevíamos que a nova fonte de luz síncrotron geraria volumes massivos de dados e exigiria uma infraestrutura robusta de transmissão e processamento. O PADEX foi um primeiro passo importante, mas ainda limitado em escala. Agora, com a Rede de e-Ciência, damos um salto que transforma esse cenário: o que antes levava horas para ser transferido pode agora ser feito em minutos, tornando ainda mais viável integrar o CNPEM à infraestrutura nacional de computação de alto desempenho”, afirma Antonio José Roque da Silva.
Na etapa atual de implantação, a ativação da rede de 100 Gb/s no CNPEM incluiu a entrega do kit Science DMZ, infraestrutura especializada para transferência de grandes volumes de dados científicos, com instalação e configuração inicial de equipamentos no no Centro. O processo também marcou o início da migração da infraestrutura do PADEX para a Rede de e-Ciência, com a atualização de uma das rotas de 10 Gb/s para 100 Gb/s.
Entre as aplicações que mais demandam alta capacidade de armazenamento, processamento e transferência de dados estão pesquisas realizadas com criomicroscopia eletrônica e experimentos conduzidos nas linhas de luz do Sirius. Essas análises geram volumes massivos de dados, que precisam ser tratados, segmentados e transformados em imagens para interpretação científica.
“O volume de dados gerados pelos experimentos cresce continuamente, assim como a necessidade de integração com centros de processamento, armazenamento e colaboração remota. Essa nova infraestrutura fortalece nosso ambiente tecnológico e nos prepara para os próximos ciclos de expansão científica e tecnológica”, destaca Denis Massarotto Campos, gerente da Divisão de Tecnologia da Informação do CNPEM.
Além de atender às demandas atuais, a infraestrutura também prepara o Centro para futuras operações científicas, como o Orion, complexo laboratorial para pesquisas em patógenos que contará com instalações de máxima contenção biológica (NB4), inéditas na América Latina.
Sobre o CNPEM (https://cnpem.br/)
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.






