Primeira linha da Fase 2 do Sirius será a primeira do mundo a realizar nanoespectroscopia nessa faixa de energia em uma máquina de quarta geração
A chegada do feixe de terahertz na estação experimental da linha de luz Tatu, do Sirius, marca o início de sua etapa de comissionamento. A Tatu integra um pacote de dez novas linhas previstas para a Fase 2 do Sirius. Trata-se da primeira linha no mundo projetada especificamente para operar na faixa do terahertz em uma máquina de quarta geração.
Uma nova janela para investigar a matéria
A linha Tatu foi concebida para explorar a faixa de terahertz, uma região do espectro eletromagnético associada a excitações de baixa energia e ainda pouco acessível experimentalmente. Nessa faixa, é possível investigar desde vibrações de moléculas mais pesadas até modos rotacionais e fenômenos coletivos em materiais, abrindo caminho para estudos que não podem ser realizados com radiações de maior energia
Um dos principais diferenciais da Tatu, está na combinação entre essa radiação e técnicas de nanoespectroscopia. Por meio de um método baseado em sondas para microscopia de força atômica, a radiação é confinada em volumes da ordem de dezenas de nanômetros, permitindo analisar estruturas muito menores do que o próprio comprimento de onda utilizado. “A gente consegue produzir uma sonda de poucos nanômetros de largura e estudar objetos muito menores do que o comprimento de onda da radiação”, explica Raul Freitas, coordenador das linhas de luz Imbuia e Tatu.
Conexão do Anel de Armazenamento do Sirius com a linha de luz Tatu. (Créditos: CNPEM)
Essa capacidade abre perspectivas para o estudo de materiais quânticos, como supercondutores e isolantes topológicos, além de sistemas nanofotônicos e uma variedade de materiais bidimensionais. Também há potencial para aplicações em áreas como telecomunicações e processamento de dados, especialmente no desenvolvimento de dispositivos que utilizam luz, em vez de elétrons, para transmitir informação.
Além da ciência de materiais, a Tatu poderá contribuir para investigações em sistemas biológicos. A faixa de terahertz permite acessar informações fundamentais sobre a estrutura de biomoléculas, ampliando o conjunto de ferramentas disponíveis para estudos na área.
Primeira linha de luz da Fase 2 do Sirius
A linha Tatu integra o conjunto de dez novas linhas de luz previstas para a Fase 2 do Sirius, um esforço de expansão que busca ampliar significativamente as capacidades experimentais das instalações. Esse conjunto inclui ainda três linhas que farão parte do projeto Orion, voltado a pesquisas avançadas em patógenos. As novas estações experimentais impulsionam o desenvolvimento e incorporação de técnicas ainda pouco exploradas, consolidando o Brasil em áreas emergentes da pesquisa científica.
Interior da linha de luz Tatu. (Créditos: CNPEM)
Início da fase de comissionamento
Com a recente observação do feixe de terahertz na estação experimental, a linha de luz Tatu entra agora na fase de comissionamento técnico-científico. Essa etapa envolve a calibração de componentes, a caracterização do feixe e a validação das condições experimentais que permitirão o uso da radiação como ferramenta de pesquisa.
Nos próximos meses, a linha deve ser usada em experimentos com usuários convidados, que buscarão testar e explorar as capacidades da infraestrutura, uma fase fundamental para o ajuste de parâmetros e desenvolvimento de metodologias.
Após esse período a Tatu será incorporada às chamadas regulares para propostas de pesquisa. “Muito em breve, a gente começa o comissionamento com usuários avançados e, em alguns meses, a linha deve estar aberta para a comunidade como um todo”, comenta Raul.
Sobre o LNLS
O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) atua na pesquisa científica e no desenvolvimento tecnológico envolvendo a luz síncrotron, com foco na operação e exploração do potencial multidisciplinar do Sirius, a mais avançada infraestrutura científica do País. Com dez estações de pesquisa já operacionais e abertas à comunidade científica e industrial, Sirius permite que milhares de pesquisadores de diversas áreas testem hipóteses sobre os mecanismos microscópicos que resultam nas propriedades dos materiais, naturais ou sintéticos, usados em diferentes campos, tais como saúde, meio ambiente, energia e agricultura. O LNLS faz parte do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.