Matheus Zaia Monteiro, egresso da turma de 2023 da Ilum Escola de Ciência, conquistou o segundo lugar do Prêmio Beatriz Neves, concedido pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) na categoria Iniciação Científica. A premiação, criada em 2002, reconhece anualmente trabalhos de destaque desenvolvidos por estudantes em diferentes níveis de formação dentro da Matemática Aplicada.
O projeto premiado nasceu durante a graduação de Matheus na Ilum, sob orientação do professor Vinícius, e teve apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A pesquisa investigou redes neurais fuzzy, uma abordagem que se diferencia dos modelos clássicos de aprendizado profundo justamente por oferecer maior interpretabilidade — ou seja, por permitir compreender com mais clareza a lógica por trás das decisões tomadas pelo modelo.
“No caso da categoria de Iniciação Científica, o prêmio leva o nome da Profa. Dra. Beatriz Neves – importante matematica brasileira, e neste ano o nosso egresso Matheus Zaia Monteiro recebeu o prêmio, ficando em segundo lugar”, explica o professor Vinícius, orientador do projeto. Segundo ele, o estudo de Matheus “destacou a interpretabilidade das redes neurais fuzzy em frente a modelos clássicos de aprendizado profundo” e abrangeu aplicações em áreas distintas: previsão de qualidade de cristais de proteínas, aproximações da função de onda na física quântica e previsão de casos de COVID-19 no Brasil.
O trabalho resultou ainda em uma contribuição concreta para a comunidade científica: o código do modelo foi disponibilizado em repositório aberto no GitHub, como uma biblioteca de uso livre, até então inédita em código aberto na linguagem Python no país, segundo Matheus. A pesquisa também gerou um artigo publicado na revista científica Neural Computing & Applications.
Matheus Zaia Monteiro, egresso da turma de 2023 da Ilum Escola de Ciência, conquistou o segundo lugar do Prêmio Beatriz Neves, concedido pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) na categoria Iniciação Científica
Formado no início deste ano, Matheus já iniciou o doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos. Seu projeto atual também está ligado à inteligência artificial: o desenvolvimento de modelos de aprendizado de máquina aplicados à reconstrução de imagens de tomografia, com o uso do Sirius, o acelerador de partículas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
Ao refletir sobre o caminho que o levou da graduação ao doutorado em uma instituição como a USP, Matheus destaca a proximidade entre ensino e pesquisa como um dos pontos mais marcantes de sua formação na Ilum. Para ele, o contato direto com laboratórios e pesquisadores desde o início do curso, somado a uma proposta pedagógica voltada à execução de projetos, e não apenas a avaliações tradicionais, foi determinante tanto para o desenvolvimento do projeto premiado quanto para sua preparação para a vida acadêmica.
A inscrição do trabalho no prêmio, formalizada pelo professor Vinícius junto à SBMAC, é mais um reconhecimento da produção científica gerada por estudantes da Ilum ainda durante a graduação e reforça a trajetória de uma escola que tem acompanhado de perto o desempenho de seus egressos no cenário científico nacional.
Sobre a Ilum Escola de Ciência
A Ilum é uma escola de Ensino Superior gratuita, que emprega uma abordagem interdisciplinar para a formação de cientistas e profissionais em Ciência e Tecnologia. Com um modelo educacional inovador, o bacharelado de três anos oferece aulas em tempo integral, conectando Ciências da Vida, Ciências da Matéria, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Humanidades para formar pesquisadores aptos a atuar de forma ética e colaborativa na busca por soluções às questões globais do século XXI. A Ilum é financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua proposta de ensino oferece contato precoce com atividades experimentais, seja nos laboratórios didáticos da Ilum ou no CNPEM, em projetos desenvolvidos junto aos pesquisadores.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.