Coronavírus: Unicamp é ‘credenciada’ e negocia com estado para realizar até 180 mil testes

Publicado em 13/04/2020
Por G1 Campinas em 01/04/2020

Reitor Marcelo Knobel anunciou que alunos podem trancar o semestre sem ônus acadêmico e defendeu o papel do professor no atual momento, com critica a Jair Bolsonaro, a quem definiu como ‘um presidente que vive em um universo paralelo’.

O reitor da Unicamp informou em reunião do Conselho Universitário (Consu) ações da universidade de Campinas (SP) no enfrentamento da crise do coronavírus. Além da possibilidade aos alunos de trancarem o semestre sem ônus acadêmico, Marcelo Knobel disse que negocia com o governo de São Paulo a realização de até 180 mil testes para detecção da Covid-19 – o credenciamento do Hospital de Clínicas (HC) junto ao Instituto Adolfo Lutz, da capital, saiu nesta quarta-feira (1º).

 

 

“A gente começou hoje a fazer os testes, e em pouco tempo, a gente está negociando com o governo do estado para termos a possibilidade de fazermos 180 mil testes aqui”, disse Knobel.

Essa negociação com o estado, segundo o reitor, envolve financiamento para bancar os custos dos exames, estimados em R$ 70 cada. A meta, segundo Knobel, é que a Unicamp amplie a capacidade para realizar até 5 mil exames por dia.

“Estamos buscando apoio, recebendo doações, e conseguimos encaminhar a compra dos equipamentos. Agora estamos negociando o financiamento desses exames”, disse o reitor.

O exame, que segue o “padrão ouro” da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a Unicamp, foi desenvolvido a partir de amostras do primeiro paciente infectado pelo coronavírus no Brasil pela equipe do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE) do Instituto de Biologia (IB).

De acordo com a Unicamp, além de pesquisadores do LEVE, o desenvolvimento do teste conta com a colaboração de outros docentes do Instituto de Biologia, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio).
Equipe da Unicamp espera ter o teste para detecção do coronavírus em Campinas nesta quarta-feira — Foto: Liana Coll/Unicamp

Equipe da Unicamp espera ter o teste para detecção do coronavírus em Campinas nesta quarta-feira — Foto: Liana Coll/Unicamp

Aulas

Sobre a paralisação de parte das atividades acadêmicas – a Unicamp foi a primeira universidade do país a suspender as aulas -, e eventuais dificuldades que alguns universitários têm em realizar ou manter os estudos on-line no período, Knobel destacou que a ideia é não prejudicar nenhum estudante.

Portanto, anunciou a possibilidade aos que desejarem, de fazer o pedido de trancamento do semestre das disciplinas que estavam cursando desde o começo do ano. Os pedidos devem ser feitos até 15 de julho, sem qualquer ônus acadêmico aos alunos.

“Os estudantes que não se sintam à vontade, não queiram, são contra, que não tenham condições socioeconômicas, que não tenham computador, que não tenham condições nas famílias para trabalhar e fazer os trabalhos, eventualmente seguir uma ou duas disciplinas, que possam trancar o semestre sem problema algum.”

O reitor ressalta ainda que o chamado coeficiente de rendimento (CR) não será computado nesse semestre “para não prejudicar eventualmente no futuro dos estudantes”.

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp — Foto: Mirela Von Zuben/G1

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp — Foto: Mirela Von Zuben/G1

Criticas ao presidente

Em sua fala na reunião do Consu, Knobel reforçou a importância dos estudos que são realizados na Unicamp e em outras instituições, e que esse é o papel das universidades, que não podem parar em um momento crítico apesar de serem atacadas diariamente. E criticou o presidente Jair Bolsonaro ao explicar a situação.

“Temos um presidente que vive em um universo paralelo, como outros, que tem uma equipe administrativa, não só no governo federal, onde as universidades públicas atacadas diariamente. Qual nossa resposta? É parar? Qual vai ser a reação da universidade? Vai ser muito mais grave. Tem gente falando em reduzir nossos salários. Para opinião pública, nós vamos estar parados”, argumentou.

Em outro ponto do discurso, o reitor fala sobre a contribuição dos professores à sociedade diante do momento de crise. E voltou a citar o presidente.

“Acreditamos que sendo professores, contribuímos para tornar o mundo melhor, mais justo (…) E são nestes momentos de crise que a gente deve continuar fazendo aquilo que acredita, e da melhor maneira para contribuir com nosso país. Trabalhando para ajudar a esclarecer a população que não podemos ter contato social, que a gente precisa acreditar na ciência, apesar do presidente dizer ao contrário”.