Desdobramento de parceria firmada com a ERINHA em 2025 fortalece a inserção internacional do complexo Orion na articulação de capacidades globais para pesquisa com patógenos de alta relevância para a saúde pública
Legenda: No mês de junho de 2025, o CNPEM recebeu o Diretor-Geral da ERINHA, Associação Europeia que coordena o projeto INTERCEPTOR (Créditos: Divulgação/CNPEM)
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) passa a integrar o projeto internacional INTERCEPTOR (International Cooperation of high containment research infrastructures: from Epidemic Preparedness to Response), iniciativa coordenada pela infraestrutura europeia ERINHA (European Research Infrastructure on Highly Pathogenic Agents), dedicada à articulação de capacidades globais para pesquisa com patógenos de alta relevância para a saúde pública.
A inclusão do CNPEM como parceiro associado representa um desdobramento direto da cooperação iniciada em junho de 2025, quando o CNPEM recebeu o Diretor-Geral da Associação ERINHA Dr. Jonathan Ewbank, e firmou um Memorando de Entendimento voltado ao desenvolvimento do Orion – complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que reunirá instalações inéditas de máxima contenção biológica (NB4) na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius, através de três linhas de luz.
Ao se conectar a uma rede internacional de infraestruturas de alta e máxima contenção, o Orion será concebido desde sua origem em diálogo com iniciativas globais, favorecendo a cooperação científica, o compartilhamento de conhecimento e a atuação coordenada em cenários de crise.
“O avanço dessas cooperações internacionais é fundamental para o Orion, pois permite que o Brasil se integre, desde já, às principais redes globais dedicadas à pesquisa com patógenos de alto risco. Ao participar de iniciativas como o Interceptor, ampliamos nossa capacidade de aprender, contribuir e atuar de forma coordenada com outros países, fortalecendo não apenas o desenvolvimento científico, mas também a preparação para emergências em saúde”, afirma o Diretor-Geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva.
Como parceiro associado, o CNPEM contribuirá para diferentes frentes do projeto, incluindo o desenvolvimento de capacidades técnicas e humanas em laboratórios de alta contenção, o intercâmbio de conhecimento entre instituições, a construção de protocolos harmonizados e a articulação com organismos internacionais relevantes para a agenda de preparação e resposta a epidemias. A participação também envolve iniciativas de comunicação científica e engajamento, além da colaboração no mapeamento e na integração de serviços e competências disponíveis em escala internacional.
A aproximação entre o CNPEM e a ERIINHA vem sendo estruturada em torno de agendas comuns, especialmente relacionadas à biossegurança, à formação de recursos humanos e ao fortalecimento de infraestruturas científicas capazes de responder a emergências sanitárias. A participação no INTERCEPTOR amplia essa colaboração ao inserir o CNPEM em uma rede internacional que reúne centros de excelência dedicados ao estudo de agentes patogênicos de alto risco biológico.
O INTERCEPTOR é um projeto financiado pela União Europeia que reúne infraestruturas de pesquisa de alta e máxima contaminação biológica da Europa e de todo o mundo, cujo objetivo é fortalecer a cooperação internacional em preparação e resposta a epidemias. Coordenado pela ERINHA, o projeto busca integrar capacidades científicas, técnicas e operacionais entre diferentes países, promovendo a harmonização de protocolos, a capacitação de equipes, o compartilhamento de recursos e a construção de uma rede global de laboratórios de alta contenção, capaz de atuar de forma coordenada diante de desafios sanitários emergentes.
Projeto Orion
O projeto Orion será um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz sincrotron, o Sirius. Em construção na cidade de Campinas-SP, no campus do CNPEM, o Projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas a comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente. A execução do projeto Orion é de responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, é financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do MCTI e apoiado pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal, atuando como um instrumento de soberania, competência e segurança nacional nos campos científico e tecnológico para pesquisa, defesa, saúde humana, animal e ambiental. A concepção do Orion deve ainda fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), iniciativa coordenada pelo MS, voltada ao atendimento de demandas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).