Novo laboratório de luz Síncrotron deve começar a operar em 2019

Publicado em 10/09/2014

IPESI INFORMA – 04/09/2014

A Engineering, empresa de engenharia especializada em projetos e gerenciamento de empreendimentos, que faz parte do grupo Hill International Company, está participando de um dos maiores projetos científicos brasileiros da história, o Sirius.

Trata-se de um acelerador de elétrons circular, fonte de luz síncrotron de quarta geração, que será utilizado para analisar características microscópicas dos materiais. Pertencente ao LNLS – Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, um dos laboratórios nacionais do CNPEM – Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) -, o laboratório deve começar a ser construído ainda este ano em Campinas (SP) e a previsão é que passe a operar para usuários em 2019.

Este será o segundo acelerador síncrotron do Brasil. O primeiro, também em Campinas, está em funcionamento desde 1997 e é, até o momento, o único da América Latina. O novo será 5 vezes maior, com 520 metros de perímetro, e será uma fonte síncrotron de quarta geração, com maior brilho do mundo em sua classe de energia, onde será possível chegar ao nanofoco, permitindo “enxergar” dentro da matéria.

A Engineering foi a responsável pelo projeto executivo do prédio e suas instalações onde será instalado o acelerador e seu envolvimento se estenderá para todo o período de construção, sendo responsável por garantir que as obras ocorram em conformidade com o que foi preestabelecido no projeto.

“O projeto do Sirius foi bastante desafiador. Para ter uma ideia da complexidade, todos os cálculos foram feitos com uma escala em mícron, ou seja, dez mil vezes menor que o centímetro. Além disso, foi preciso muito estudo e pesquisa, pois muitas normas técnicas não se aplicam. Foi preciso nos reinventar como engenheiros e arquitetos”, define Sérgio Falcão, diretor executivo da Engineering.

Foram necessários 18 meses para a conclusão do projeto, trabalho que envolveu a atuação de profissionais distintos como arquitetos, engenheiros e técnicos, os quais desenvolveram as áreas de arquitetura, vibrações, fundações, estruturas, pisos especiais e instalações (hidráulica, elétrica, automação e ar condicionado).

“Pela complexidade, gastamos cinco vezes mais horas do que um projeto padrão. Ao longo deste tempo, fizemos pesquisas, ensaios e viagens para conhecer aceleradores em Hamburgo, na Alemanha, Oxford, no Reino Unido, e Lund, na Suécia”, conta Cássio Barbosa, diretor da Engineering, que visitou pessoalmente os centros de pesquisa em outros países.

Pensado inteiramente para que a estrutura predial não interfira nas pesquisas, o projeto do Sirius foi realizado inteiramente por profissionais brasileiros. “Nosso maior desafio foi traduzir para a engenharia todo o anseio dos físicos. Fazer um sonho se tornar concreto”, finaliza Barbosa.

Alguns dos pontos mais peculiares do projeto são:
– Isolamento vibracional da estrutura do piso do anel de experimento e túnel do feixe de luz;
– Características de blindagem do túnel do feixe de luz (acessos de teto com elementos de concreto pré-moldado sobrepostos);
– Chicanas de acesso das utilidades dentro do túnel do feixe de luz;
– Estabilidade do sistema de ar condicionado dentro do túnel do feixe de luz e do ambiente de pesquisas do anel de experimento;
– Características de estanqueidade e isolamento térmico da cobertura e fechamentos;
– Pontes rolantes para ambientes com desenvolvimento circular;
– Atenuação de fontes de vibração;
– Troca de solos e execução de fundações do anel de experimento em ambiente controlado já com cobertura e fechamento lateral;
– Homogeneidade dos elementos básicos de construção, principalmente o concreto;
– Estudos vibracionais através de protótipos;
– Sistemas de aterramento;
– Utilização de sistemas especiais para as juntas de piso de concreto.

Link: IPESI

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