Segunda reunião marcou articulação de GT com pesquisadores da Rede Vírus para aprofundar capacidades científicas e estratégias operacionais do complexo laboratorial Orion

Legenda: Além do Comitê Diretor da Rede Vírus, o segundo encontrou reuniu diferentes
frentes temáticas envolvidas no projeto Orion (Créditos: Divulgação CNPEM).
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) realizou, no último dia 20 de maio, a segunda reunião ampliada com integrantes do Comitê Diretor da Rede Vírus no âmbito do projeto Orion. Instituída pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Rede Vírus reúne pesquisadores e especialistas de diferentes áreas para fortalecer a articulação científica nacional em virologia, vigilância, diagnóstico, prevenção e resposta a emergências em saúde pública.
Logo na abertura do encontro, os participantes destacaram a estruturação de um grupo de trabalho (GT) voltado ao aprofundamento e detalhamento das prioridades científicas do projeto Orion, com participação da comunidade científica ligada à Rede Vírus. A proposta prevê a consolidação de contribuições técnicas relacionadas às futuras capacidades científicas e operacionais do complexo laboratorial, subsidiando a construção conjunta de diretrizes para o empreendimento.
O encontro deu continuidade às discussões iniciadas na primeira reunião entre o CNPEM e a Rede Vírus, que na ocasião incluiu as sub-redes temáticas e aconteceu no dia 4 de fevereiro deste ano. Assim como na primeira reunião, o segundo encontro aprofundou debates sobre as capacidades científicas previstas para o Orion, contribuindo para a consolidação das prioridades estratégicas do futuro complexo laboratorial, que abrigará o primeiro laboratório de máxima contenção biológica (NB-4) da América Latina, sendo as primeiras instalações deste tipo do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron.
A programação incluiu apresentações sobre o andamento das obras, equipamentos científicos, capacidades experimentais e possibilidades de faseamento do projeto, além de debates técnicos conduzidos com pesquisadores da Rede Vírus e especialistas envolvidos no desenvolvimento do Orion. Durante a abertura, o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, reforçou a importância da participação da comunidade científica na construção das diretrizes científicas do empreendimento. “O modelo de operação tem que ser definido pela comunidade. O CNPEM vai dialogar com a comunidade”, frisou.
Entre os temas discutidos estiveram os ambientes laboratoriais NB-2, NB-3 e NB-4, as soluções de engenharia e biocontenção adotadas para o empreendimento, os sistemas redundantes de segurança, bem como as capacidades previstas para biologia celular, biologia molecular, bioimagem, sequenciamento genético, medicina comparada e experimentação animal.
Durante a reunião, representantes do projeto detalharam a escolha do modelo modular em aço inox para as áreas de máxima contenção biológica, solução adotada após visitas técnicas internacionais e análises comparativas com outros laboratórios NB-4. Segundo os participantes, a estratégia deverá ampliar a durabilidade das estruturas, reduzir riscos construtivos e facilitar futuras manutenções e operações do laboratório.
As discussões também abordaram as capacidades científicas previstas para o Orion nas áreas de cultura celular, produção viral, biologia molecular, sequenciamento genético, bioimagem e medicina comparada, além da integração entre ambientes laboratoriais de diferentes níveis de biossegurança e das futuras conexões com as linhas de luz do Sirius. Os pesquisadores discutiram ainda estratégias para otimizar fluxos de trabalho em ambientes máxima contenção, incluindo automação de processos e integração de tecnologias avançadas de imageamento e sequenciamento.
Outro tema debatido durante a reunião foi a estrutura prevista para pesquisas com modelos animais, considerados relevantes para determinados estudos biomédicos e avaliações regulatórias relacionadas a vacinas, terapias e patógenos de alta relevância sanitária.
Ao final do encontro, os integrantes da Rede Vírus foram convidados a encaminhar contribuições adicionais para subsidiar a elaboração do documento técnico que deverá orientar o detalhamento das prioridades científicas e operacionais do projeto Orion nas próximas etapas de desenvolvimento.
“A participação da Rede Vírus é fundamental para garantir que as prioridades científicas do projeto Orion sejam definidas de forma colaborativa, estratégica e alinhada às necessidades nacionais. A Rede atuará como canal estruturado de interlocução entre o projeto e pesquisadores de diferentes instituições, áreas do conhecimento e regiões do país. Ao atuar como elo entre o Orion, a comunidade científica e os gestores públicos, a Rede auxiliará na construção de um modelo operacional que maximize o uso da infraestrutura pelo ecossistema nacional de pesquisa e inovação, assegurando que as capacidades científicas do complexo atendam às necessidades do Brasil e fortaleçam a nossa capacidade de prevenção, preparação e resposta a ameaças biológicas e emergências sanitárias”, destaca Thiago Moraes, integrante do Comitê Diretor da Rede Vírus e coordenador-geral de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias do MCTI”.
O Comitê Diretor da Rede Vírus é um grupo instituído no âmbito do MCTI nº 9.287, de 31 de julho de 2025, que criou a Rede, e cuja composição é definida pela Portaria SEPPE/MCTI nº 9.678, de 12 de dezembro de 2025.
Projeto Orion
O projeto Orion será um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Em construção na cidade de Campinas-SP, no campus do CNPEM, o Projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas a comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente. A execução do projeto Orion é de responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, é financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do MCTI e apoiado pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal, atuando como um instrumento de soberania, competência e segurança nacional nos campos científico e tecnológico para pesquisa, defesa, saúde humana, animal e ambiental. A concepção do Orion deve ainda fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), iniciativa coordenada pelo MS, voltada ao atendimento de demandas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.






