Roda Viva destaca o financiamento à ciência e tecnologia no Brasil

Publicado em 01/12/2017
Agência FAPESP, em 16/11/17

 

Roda Viva destaca o financiamento à ciência e tecnologia no Brasil

Programa, que pode ser assistido pela internet, teve como debatedores Carlos Henrique de Brito Cruz, Antonio Roque da Silva, Mayana Zatz, Paulo Saldiva e Alicia Kowaltowski (imagem: Roda Viva)

A importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento do Brasil foi tema do programa Roda Vida, da TV Cultura. Exibido no dia 6 de novembro, o programa pode ser assistido pela internet.

Temas como nanotecnologia, biotecnologia e ciências ambientais, projetos como o Sirius, desenvolvido no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) – com apoio da FAPESP –, questões como o corte de verbas para financiamento de pesquisas, perspectivas para os próximos anos e comparações com as políticas de outros países estiveram em pauta.

Os convidados e debatedores foram Carlos Henrique de Brito Cruz , diretor científico da FAPESP, Antonio José Roque da Silva, diretor do LNLS, Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, e Alicia Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica da USP.

O apresentador Augusto Nunes abriu o programa questionando os convidados sobre a questão do corte de verbas para ciência e tecnologia. Zatz comentou que a situação no Estado de São Paulo não pode ser considerada representativa do que está acontecendo no resto do país.

“Felizmente, em São Paulo é diferente. Nós temos a FAPESP, que tem um programa fantástico e ainda conseguimos fazer nossas pesquisas. Então, não estamos aqui em causa própria, mas defendendo o resto do Brasil. Sabemos que no resto do país o corte em ciência está sendo desastroso. Tem laboratórios que estão fechando por falta de verbas, alunos que não têm bolsas, um desânimo entre os jovens que não veem futuro e cérebros que estão indo embora e não querem voltar. Esse é o primeiro impacto que estamos sentindo e que pode ser irreversível”, disse.

A crise de financiamento no sistema federal brasileiro foi destacada por Brito Cruz. “O governo brasileiro, por alguma razão, no passado gastou o dinheiro daqueles anos e o do futuro. Então, agora, o país está com falta de recursos para tudo, não é só em ciência e tecnologia. Esse reequacionamento coloca um desafio enorme para a área de ciência e tecnologia, que é como demonstrar àquelas pessoas que pagam impostos e aos seus representantes que é importante reservar uma parte dos recursos do governo federal para apoiar atividades de pesquisa, seja no mundo acadêmico – nas universidades e nos institutos de pesquisa – ou nas empresas, porque tem uma parte muito importante da pesquisa, em qualquer país do mundo, que é feita nas empresas. Todos os países onde a economia prospera têm programas de governo que ajudam as empresas a realizar mais pesquisas por meio de subsídios, subvenções etc.”, disse.

“Estamos vendo uma dificuldade enorme nesses dois lados: no financiamento federal à pesquisa acadêmica e no financiamento federal à pesquisa industrial. Isso faz um efeito de círculo vicioso, porque, à medida que a empresa faz menos pesquisa, ela tem menos tecnologia e menos competitividade, e a universidade, ao fazer menos pesquisa, forma pior seus estudantes ou forma menos e no futuro há menos capacidade tecnológica ainda. É um desafio muito difícil no qual o Brasil foi colocado”, disse Brito Cruz.

Para Saldiva, o corte nas verbas para ciência e tecnologia tem grande impacto na formação de novos pesquisadores. “Quando quisermos construir essa ponte para o futuro, que é a ciência, vão faltar tijolos. Demora muito tempo para recuperar o prejuízo da falta de confiança de um jovem, de um indivíduo que não tem certeza de que vai ter uma bolsa ou que os recursos que foram aprovados para o projeto no qual ele se envolveu não existirão mais daqui a dois ou três anos. É uma pena que isso esteja acontecendo no Brasil, porque isso vai comprometer o nosso futuro”, disse.

“Tem brasileiro indo embora, mas todo ano [por exemplo] a FAPESP aprova entre 50 e 100 financiamentos para o que chamamos de jovem pesquisador, que é um jovem de qualquer lugar do mundo, pode ser brasileiro ou pode não ser brasileiro, que decide vir para o Estado de São Paulo começar sua carreira financiado pela FAPESP”, disse Brito Cruz.

O programa pode ser assistido na íntegra em: https://tvcultura.com.br/programas/rodaviva.