Cinco jovens de olimpíadas científicas conheceram o Sirius, fizeram experimentos práticos e trocaram experiências com pesquisadores e professores durante os cinco dias de programação
Entre os dias 29 de junho e 3 de julho, cinco estudantes medalhistas da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP) realizaram uma semana de imersão científica no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), com atividades especialmente na Ilum Escola de Ciência. Vindos de diferentes regiões do país, Macaé (RJ), Teresina (PI), Maceió (AL), Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG), os jovens tiveram contato direto com laboratórios de ponta, participaram de experimentos práticos e conversaram com pesquisadores de diferentes áreas. Uma experiência que, segundo eles próprios, foi bem além do que imaginavam ao receber o convite.
Uma semana de ciência de ponta
Ao longo da semana, os estudantes passaram por atividades que atravessaram diferentes áreas do conhecimento: palestras sobre inteligência artificial e matemática fuzzy, visita ao Sirius e às suas linhas de luz, um experimento de espalhamento Rayleigh, uma oficina de bioinformática, atividades de difração e microscopia e uma discussão sobre aprendizado de máquina aplicado à ciência dos materiais. A rotina incluiu ainda visitas técnicas por infraestruturas de biociências, nanotecnologia, biorrenováveis e ao centro de treinamento do Orion, e se encerrou com um brainstorm sobre problemas científicos em aberto e a elaboração coletiva de um relatório sobre a experiência.
“Todo mundo reconhece a importância disso”
Para a professora Ana Carolina de Mattos Zeri, uma das organizadoras da iniciativa, receber os medalhistas está diretamente ligado à missão da Ilum e do CNPEM de aproximar crianças e jovens da ciência. “Isso é parte da nossa missão: incentivar o interesse pela ciência entre crianças e jovens, independentemente do caminho que eles vão seguir depois”, afirma.
Ana Zeri também destacou o quanto a semana ampliou a forma como os jovens enxergam a ciência. “Os problemas que a gente resolve nas olimpíadas já são conhecidos, alguém já sabe a resposta. Na vida real, a gente lida com problemas que ainda não têm resposta e isso está sendo muito importante pra eles verem essa conexão. Eles imaginavam a física, a engenharia, a ciência pura como caixinhas separadas, e estão conseguindo ver a interseção entre todas essas áreas”, conta.
O que os medalhistas levam da experiência
Para os estudantes, a visita funcionou como uma porta de entrada para um universo até então distante da rotina escolar. Felipe Gomes da Costa Gandini, de 17 anos, de Macaé (RJ), destacou o caráter interdisciplinar do curso: “É bem interessante ver como eles relacionam partes muito específicas de pesquisa de física com biologia, com materiais”.
Cauê Carvalho da Costa Gonçalves, de 17 anos, de Teresina (PI), tem interesse por tecnologia e engenharia. Para ele, a semana no CNPEM abriu um novo horizonte: “Conhecendo aqui a dinâmica das aulas, toda a infraestrutura e tudo relacionado ao campus, está se tornando uma possibilidade futura de ingressar aqui”.
João Gabriel, de 18 anos, de Maceió (AL), já havia visitado a Ilum e o CNPEM em 2024. Mas desta vez, pôde se aprofundar mais na experiência interdisciplinar da escola: “É uma experiência realmente transformadora: formar os próximos cientistas, que vão contribuir com soluções pro futuro”.
Já Vinícius Reis de Oliveira, de 17 anos, de Belo Horizonte (MG), ressaltou o quanto a vivência prática se diferenciou do que está acostumado a estudar em sala de aula: “É muito raro ter essa oportunidade, num centro de pesquisa tão avançado, poder ter uma série de atividades práticas. É a primeira vez que tenho esta experiência”.
Ciência acessível e formação de novos talentos
A iniciativa reforça o compromisso do CNPEM e da sua graduação, a Ilum, em aproximar jovens talentosos da escola pública do universo da pesquisa científica, mostrando que a ciência pode ser um caminho acessível e transformador. Durante os cinco dias de atividades, os estudantes tiveram passagens aéreas, hospedagem e transporte local custeados pelo CNPEM/Ilum, garantindo a presença de representantes de diferentes regiões do Brasil.
Mais do que uma visita técnica, a semana proporcionou aos cinco medalhistas uma vivência completa no ambiente da ciência de fronteira, conectando jovens promissores a pesquisadores, laboratórios e desafios que ajudam a construir as soluções científicas do futuro.
Sobre a Ilum Escola de Ciência
A Ilum é uma escola de Ensino Superior gratuita, que emprega uma abordagem interdisciplinar para a formação de cientistas e profissionais em Ciência e Tecnologia. Com um modelo educacional inovador, o bacharelado de três anos oferece aulas em tempo integral, conectando Ciências da Vida, Ciências da Matéria, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Humanidades para formar pesquisadores aptos a atuar de forma ética e colaborativa na busca por soluções às questões globais do século XXI. A Ilum é financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua proposta de ensino oferece contato precoce com atividades experimentais, seja nos laboratórios didáticos da Ilum ou no CNPEM, em projetos desenvolvidos junto aos pesquisadores.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.





