Projeto de aplicação inovadora da técnica de AFM recebe prêmio do grupo Natura & Co.
O CNPEM foi um dos agraciados com o prêmio “Embrace 2025 – Projetos de Valor – Funil de Inovação”, promovido pelo grupo Natura & Co para fomentar, premiar e aumentar conexões com seus parceiros e fornecedores. A premiação aconteceu no dia 9 de junho.
O projeto MÍSTICA, conduzido no CNPEM pela equipe do Laboratório de Microscopia de Força Atômica do Laboratório Nacional de Nanotecnologia, foi vencedor na categoria P&D. Realizado em parceria com a Natura desde 2017, o estudo emprega a técnica de microscopia de força atômica para investigar, com resolução nanométrica, as propriedades mecânicas de inúmeras amostras de fibras capilares submetidas a diferentes processos de degradação e tratamentos.
Propriedades macroscópicas percebidas ao tato, como maciez, aspereza e resistência ao deslizamento, são interpretadas como manifestações coletivas de inúmeras interações que ocorrem em escala nanométrica, na superfície de cada fibra, e analisadas através da abordagem que permite avaliar alterações topográficas e mecânicas induzidas nesses materiais, contribuindo para a compreensão dos efeitos estruturais e funcionais associados às condições analisadas.
Bruna Sedaca, Analista de Desenvolvimento Tecnológico no CNPEM com atuação-chave no projeto explica que “o desafio técnico começou desde a preparação das amostras de fios de cabelo, às inúmeras análises de Microscopia de Força Atômica até ao tratamento dos resultados. Assim, foi preciso desenvolvermos métodos para fixação mecânica dos fios, testarmos técnicas e parâmetros de microscopia, como também na interpretação dos resultados.”
“Mais do que uma fibra biológica, o cabelo carrega identidade, autoestima e expressão pessoal. É justamente essa dimensão humana que torna o trabalho tão significativo: transformar conhecimento científico de fronteira em soluções que impactam diretamente o cotidiano das pessoas — e as suas histórias”, destacou o coordenador do Laboratório de Microscopia de Força Atômica, Carlos Costa, especialista do CNPEM.
Os resultados obtidos demonstraram como abordagens avançadas em caracterização em nanoescala utilizando a microscopia de força atômica podem gerar conhecimento robusto, com potencial de aplicação, contribuindo para o desenvolvimento de produtos e tecnologias mais eficazes e seguras.
“Ao ingressar há pouco mais de um ano no CNPEM para atuar neste projeto, tive a oportunidade de me aprofundar na aplicação da técnica de AFM em um contexto de inovação, ao lado de uma equipe parceira, contribuindo para um trabalho que, hoje, é reconhecido por meio deste prêmio — uma trajetória que recebo com profunda gratidão, orgulho e senso de responsabilidade. Fiquei muito honrada e grata pelo reconhecimento.” Finaliza Bruna.
Microscopia de força atômica
Embora o termo “microscopia” seja historicamente empregado para essa classe de instrumentos, a microscopia de força atômica não utiliza lentes para formar imagens. Seu funcionamento se assemelha mais ao de um perfilômetro mecânico de altíssima resolução, capaz de mapear a superfície de uma amostra com uma sonda com a extremidade afiada e, simultaneamente, investigar interações físico-químicas na interface entre a extremidade da sonda e o material analisado.
A informação é adquirida sequencialmente: a sonda percorre ponto a ponto uma linha da superfície e, em seguida, repete esse processo linha a linha até mapear uma área definida da amostra. A imagem resultante é construída pela associação dos dados obtidos em cada ponto de medida, gerando uma representação topográfica tridimensional da superfície analisada. A técnica permite correlacionar a topografia com propriedades locais, como rigidez, adesão, fricção e outras, dependendo do modo de operação utilizado.
Instalação Aberta AFM
A Instalação Aberta do Laboratório de Microscopia de Força Atômica (do inglês Atomic Force Microscopy, ou AFM) do CNPEM disponibiliza cinco diferentes plataformas experimentais de microscópios de força atômica equipados com um amplo leque de aplicações relacionadas às áreas de Física, Química, Biologia e Engenharias. Além de operar como instalação multiusuária e executar projetos de pesquisas acadêmicas e industriais, este laboratório atua no treinamento de nível básico ao nível avançado de usuários, colaborando na divulgação e disseminação das técnicas de AFM no cenário nacional.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.