Trabalhos abordam pesquisas em materiais 2D, sensores e dispositivos avançados
Três pesquisadores colaboradores do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), tiveram destaque no IX NanoMat – Simpósio em Nanociências e Materiais Avançados, realizado nos dias 6 e 7 de maio na Universidade Federal do ABC.
O evento foi organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Nanociências e Materiais Avançados (PPG-NMA) da UFABC e reuniu estudantes e pesquisadores da área para apresentações e discussões sobre avanços em nanociências e materiais avançados.
Entre os trabalhos premiados estão os de Juliana Naomi Yamauti Costa, doutoranda orientada pelo pesquisador do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) Renato Sousa Lima e bolsista da FAPESP, e de Leonardo Hideki Hasimoto e Isaque Augusto Aragão Feitosa, doutorandos orientados pelo pesquisador do LNNano Murilo Santhiago e também bolsistas da FAPESP.
Na categoria de apresentação oral, Juliana Naomi Yamauti Costa conquistou o 1º lugar com o trabalho “Biossensor Eletroquímico Label-Free Baseado em Capacitância Quântica em Chips Ultradensos para Detecção de Mpox”, que utiliza chips eletroquímicos de alta densidade de eletrodos, tecnologia desenvolvida por Juliana durante seu mestrado no CNPEM, agora integrados a monocamadas automontadas eletroativas (e-SAMs).
Esse sistema detecta a ligação de biomarcadores virais por meio de mudanças na capacitância quântica, um fenômeno ligado à forma como os elétrons ocupam estados energéticos disponíveis no material. Essa propriedade funciona como um mecanismo de amplificação de sinal, garantindo alta sensibilidade e precisão mesmo em baixas concentrações de biomarcadores virais. Além do Mpox, essa tecnologia apresenta grande potencial de adaptação para o diagnóstico de outras doenças, já que o princípio de detecção pode ser facilmente direcionado a diferentes biomarcadores.
Isaque Augusto Aragão Feitosa conquistou o 1º lugar na categoria Melhor Apresentação de Pôster com o trabalho “Electronically decoupled MoS2 stacking via sequential electrochemical thinning”, publicado na revista Chemical Communications.
A pesquisa apresenta uma nova estratégia para o empilhamento de monocamadas de MoS2, material bidimensional promissor para aplicações em eletrônica, sensores, conversão e armazenamento de energia. O método desenvolvido possibilita a formação de estruturas multicamadas preservando propriedades eletrônicas típicas de monocamadas isoladas, um desafio relevante na área de materiais 2D. O estudo contou com a colaboração de Alisson R. Cadore (LNNano) e Ingrid D. Barcelos (LNLS), além de financiamento da FAPESP, CNPq e FAPESP-CEPID-CEMol.
O doutorando Leonardo Hideki Hasimoto recebeu o 2º lugar na categoria Melhor Apresentação de Pôster, entre 57 trabalhos apresentados, com o estudo “Engineering Stretchable LIG Electrodes for High-Performance Biosensors”, desenvolvido sob orientação de Murilo Santhiago em colaboração com Charles Henry, da Colorado State University, nos Estados Unidos.
O trabalho aborda o desenvolvimento de um sensor eletroquímico alongável baseado em grafeno induzido por laser (LIG), capaz de manter estabilidade elétrica e desempenho eletroquímico mesmo sob deformações de até 20%. O dispositivo foi produzido pela transferência de LIG para substratos elastoméricos e aplicado na detecção de lactato em suor artificial, apresentando respostas estáveis na faixa fisiológica relevante. Os resultados demonstram o potencial do LIG para sensores vestíveis flexíveis e de baixo custo.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).
Sobre o LNNano
O Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) atua na pesquisa e no desenvolvimento envolvendo a escala nanométrica, por meio de infraestruturas sofisticadas e equipes altamente especializadas, capazes de buscar respostas a desafios científicos e alavancar soluções tecnológicas. Suas instalações abertas compõem um parque único no País, incluindo microscopia eletrônica, criomicroscopia, microscopia de força atômica, além de salas limpas e laboratórios que possibilitam desde a síntese e a caracterização de materiais até a fabricação de dispositivos. Sua pesquisa científica aborda temas estratégicos, nos quais a nanociência e a nanotecnologia contribuem para a solução de problemas nacionais, como em energias renováveis, materiais para a sustentabilidade, saúde e dispositivos quânticos. O LNNano faz parte do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).