Pesquisa sobre o Sirius recebe Prêmio de Melhor Tese de 2025
Murilo Alves, físico e pesquisador-colaborador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e aluno da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), recebeu o Prêmio de Melhor Tese de Doutorado de 2025, concedido pelo Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp. O reconhecimento foi anunciado em 20 de maio de 2026 e contemplou a tese “Efeitos coletivos longitudinais em síncrotrons com sistema de RF duplo”, orientada pela Liu Lin, chefe da divisão de aceleradores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/CNPEM).
O trabalho aborda um dos principais desafios dos aceleradores em fontes de luz síncrotron de quarta geração, como o Sirius, que é manter a estabilidade do feixe de elétrons durante a operação em correntes elevadas.
Uma das estratégias para aumentar a estabilidade do feixe de elétrons é a adoção de um sistema de radiofrequência (RF) duplo, que combina as cavidades principais com cavidades que operam em um harmônico mais alto da frequência de RF. Essa configuração permite aumentar o comprimento longitudinal dos pacotes de elétrons e, consequentemente, reduzir sua densidade de carga.
Nesse contexto, a pesquisa desenvolveu modelos teóricos e computacionais para estudar as condições de equilíbrio e os limiares de instabilidade dos elétrons em sistemas de RF duplo.
O trabalho teve aplicação direta no Sirius, contribuindo para a especificação de uma cavidade supercondutora de terceiro harmônico. Com a instalação do equipamento, prevista para 2027, será possível aumentar de forma estável a corrente armazenada no anel, de 200 mA para 350 mA.
Esse avanço permitirá alcançar a corrente de projeto prevista para a Fase II de operação do Sirius, ampliando a capacidade da fonte de luz e contribuindo para a qualidade e o brilho da luz síncrotron disponibilizada às linhas de luz e aos experimentos científicos.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.
Sobre o LNLS
O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) atua na pesquisa científica e no desenvolvimento tecnológico envolvendo a luz síncrotron, com foco na operação e exploração do potencial multidisciplinar do Sirius, a mais avançada infraestrutura científica do País. Com dez estações de pesquisa já operacionais e abertas à comunidade científica e industrial, Sirius permite que milhares de pesquisadores de diversas áreas testem hipóteses sobre os mecanismos microscópicos que resultam nas propriedades dos materiais, naturais ou sintéticos, usados em diferentes campos, tais como saúde, meio ambiente, energia e agricultura. O LNLS faz parte do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).