Ana Figueira, também finalista do Prêmio Lush, é a única representante da América Latina na categoria Ciência

A pesquisadora Ana Carolina Migliorini Figueira, do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), foi uma das 25 cientistas premiadas na América Latina pelo Prêmio 25 Mulheres na Ciência – 3M. A premiação é voltada para mulheres que desenvolvem pesquisas de visibilidade, inovação e impacto social com foco na indústria. Ana Carolina desenvolve métodos alternativos aos testes com animais em laboratórios e lidera o grupo de engenharia de tecidos.
O anúncio foi feito durante a cerimônia de premiação, na manhã de 11 de fevereiro, em formato online, como parte das comemorações do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Além da premiação, será lançado um livro sobre as 25 vencedoras, contando suas trajetórias no cenário latino-americano.
Por meio de técnicas de engenharia de tecidos, Ana Carolina e seu grupo desenvolvem miniórgãos artificiais que reproduzem o fígado humano e são usados para testar a toxicidade de moléculas da indústria farmacêutica que são candidatas a novos fármacos. Desta forma, contribuem para a redução de testes em animais.
Atualmente, seu grupo de pesquisa no CNPEM trabalha na fase piloto de validação do método, que envolve testes colaborativos com outros laboratórios para padronização do protocolo, com perspectiva de torná-lo um método internacionalmente validado. A expectativa é que, futuramente, a técnica permita reduzir centenas de testes em animais para apenas alguns poucos ensaios finais, mantendo a segurança e a eficácia exigidas pela regulação.
“Esse reconhecimento valoriza uma linha de pesquisa que busca unir ciência de ponta, inovação e impacto social. Nosso objetivo é desenvolver metodologias mais éticas, eficientes e acessíveis, que possam ser usadas amplamente pela indústria e por laboratórios de pesquisa. Para isso, buscamos desenvolver testes que sejam mais baratos e possam ter aplicações mais abrangentes”, afirma a pesquisadora.
O trabalho faz parte das atividades do CNPEM como polo de inovação em métodos alternativos, no âmbito da RENAMA (Rede Nacional de Métodos Alternativos), rede coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O CNPEM é um dos três centros nacionais da RENAMA, ao lado da Fiocruz e do Inmetro, sendo responsável pelo desenvolvimento de novas metodologias e capacitação de pesquisadores.
Finalista
Além do prêmio da 3M, Ana Carolina também é uma das 13 finalistas do Prêmio Lush, e a única representante da América Latina na categoria Ciência. A Lush é uma empresa inglesa de cosméticos naturais com alcance global. O prêmio reconhece projetos “animal free” inovadores, concedendo financiamento internacional para pesquisa.
Sua escolha se deve ao trabalho geral desenvolvido por sua equipe no CNPEM buscando alternativas ao uso de animais em pesquisas. O anúncio dos vencedores será em maio, e a entrega do prêmio será em Londres.
Sobre o CNPEM (https://cnpem.br/)
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).






