Diretor de laboratório visitado por Temer cobra R$ 200 milhões atrasados

Publicado em 16/02/2018
Jornal O Globo em 16/02/2018

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O presidente Michel Temer (PMDB) visitou nesta quinta-feira obras com repasses atrasados para a construção de um acelerador de partículas em Campinas. O presidente foi cobrado pelo diretor do projeto do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Antonio José Roque. O diretor disse que o equipamento corre o risco de ficar parado caso o governo não libere mais R$ 200 milhões até agosto, quando está previsto o primeiro teste.

Temer estava acompanhado de Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia, cuja pasta é responsável pelo projeto e que acabou por cortar os repasses nos últimos três anos. O diretor do CNPEM disse que Temer não garantiu o dinheiro, mas afirmou que ele e Kassab prometeram fazer um “esforço”. O presidente deixou o local sem falar com a imprensa.

O diretor do laboratório demonstrou preocupação com o risco de a obra ficar paralisada. Ele ressaltou que o equipamento colocará o Brasil no mesmo patamar de países como Estados Unidos e China para o desenvolvimento de tecnologias em diversas áreas a exemplo da saúde, agricultura e até petroquímica.

— Precisamos de mais R$ 200 milhões. Esse dinheiro não foi colocado no orçamento federal em 2015, 2016 e 2017 — disse o diretor Roque. — O repasse é importante porque com esse projeto será possível desenvolver tecnologia de ponta aqui no Brasil. Só a Suécia tem um equipamento como esse. O nosso será mais moderno que o dos EUA e dos países da Europa. Vamos sair na frente deles. Por isso eu digo: ‘Yes, we can’ — afirmou Roque em alusão ao slogan de campanha do ex-presidente americano Barack Obama.

As obras do acelerador de partículas Sirius começaram em 2012. Desde então, o projeto já recebeu R$ 930 milhões. O orçamento previsto até 2020 é de R$ 1, 8 bilhão. Neste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia separou R$ 218 milhões ao Sirius. No entanto, ainda é necessário um reforço de suplementação de mais R$ 200 milhões para concluir os trabalhos.

 

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