Representantes da indústria farmacêutica, empresas de inovação, agências de fomento e órgãos governamentais estiveram em Campinas-SP para discutir iniciativa em inovação radical
Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, cerca de 50 especialistas, pesquisadores e executivos de empresas da área farmacêutica, Ministério da Saúde, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) estiveram juntos em Campinas-SP, no campus do CNPEM, para discutir o recém-lançado Programa de Inovação Radical em Saúde.
O Programa faz parte de um contrato firmado entre o Ministério da Saúde e o CNPEM, a partir de instrumento jurídico já estabelecido entre o Centro e o MCTI, em novembro de 2025, que visa incorporar iniciativas de impacto direto no complexo econômico-industrial da saúde ao planejamento institucional do Centro. A primeira delas busca instituir um programa de inovação, dedicado ao desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), tecnologias biomédicas avançadas e soluções terapêuticas inovadoras, com o objetivo de reduzir a dependência brasileira de importações, que hoje supera 90%.

Créditos: Grax Medina/MS
“Essa iniciativa foi projetada para estabelecer uma infraestrutura de pesquisa multiusuária, dedicada exclusivamente à inovação radical em saúde, com foco no atendimento de demandas da indústria e potencialização de projetos de inovação da academia e de startups. Para atingirmos esse objetivo, gerando produtos que beneficiem o Sistema Único de Saúde, é fundamental apostarmos no diálogo com todos os atores envolvidos. Essa primeira reunião vai nos ajudar a entender os desafios e as motivações da indústria farmacêutica no País, permitindo o estabelecimento de um Programa que atenda às necessidades do setor”, afirmou Fernanda De Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde.
A reunião foi marcada pela apresentação dos principais motivadores do Programa que visa o crescimento da indústria farmacêutica nacional, o atendimento de demandas específicas do SUS, a busca por soberania nacional, o preenchimento de lacunas na cadeia de inovação em fármacos no Brasil e o fortalecimento da ciência translacional entre academia e empresas. Os conceitos-chave que pautaram o desenho do Programa também foram discutidos, como o processo de inovação, governança, possíveis modelos de negócio, possíveis fontes e formas de financiamento. As principais competências e técnicas experimentais, os equipamentos e os conceitos do espaço inicialmente projetados para a infraestrutura foram igualmente apresentados.
“Transformar a capacidade científica do Brasil em autonomia tecnológica para o SUS com participação ativa da indústria nacional é um enorme desafio e uma janela de oportunidade ímpar. Nossa experiência com outros grandes projetos do CNPEM, como o Sirius e o Orion, mostra que esse tipo de reunião, focada no processo de escuta, troca de ideias e de críticas, é a chave para promover a integração e garantir o sucesso de infraestruturas compartilhadas. É uma satisfação receber esse tipo de evento”, celebrou Antonio José Roque da Silva, Diretor-Geral do CNPEM.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).





