UFMG realiza levantamento da infraestrutura de pesquisa do país

Sistema Mineiro de Inovação, em 5/09/16

 

Resultado da pesquisa, realizada em parceria com Ipea, CNPq e Finep, foi apresentado no Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação

Por Redação Belo Horizonte

Laboratórios de pequeno porte, sem equipamentos de ponta ou equipes multidisciplinares. Esse é o retrato da infraestrutura de pesquisa científica do país, que dificulta a competitividade global da ciência brasileira. A conclusão é da diretora de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernanda De Negri. Em palestra aos servidores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na última semana, ela falou sobre os resultados do estudo que gerou a publicação Sistemas Setoriais de Inovação e Infraestrutura de Pesquisa no Brasil, referente a 2012.

A pesquisa avaliou 1.760 laboratórios de 143 instituições, onde trabalhavam, na época, 7.090 pesquisadores. “Essa média de quatro pessoas por unidade significa uma infraestrutura pequena, pulverizada e fragmentada”, comentou Fernanda. “Esse, talvez, seja o pior problema da ciência brasileira. Temos poucos laboratórios grandes. A maioria tem valor estimado de até R$ 500 mil, ou seja, de modo geral, são pequenas salas dentro de departamentos das universidades, onde atuam duas pessoas, o professor e um aluno.”

Na opinião da diretora do Ipea, o formato do sistema compromete a qualidade da ciência. “Para fazer pesquisa de ponta, você precisa de multidisciplinaridade, grandes instalações e bastante gente trabalhando em temas similares”, defendeu. “Esses laboratórios pequenos são muito mais para ensino ou para aquela pesquisa de mestrado, doutorado, não é para fazer algo de ponta.”

O estudo indica menos de 20 laboratórios com valor estimado do conjunto de seus equipamentos superior a R$ 15 milhões. “Isso em uma amostra de 1.760. Esse dado expõe a dificuldade do pesquisador brasileiro para competir com quem trabalha em grandes centros do exterior”, apontou Fernanda.

A diretora do Ipea destacou como exceções o Laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (LIT/Inpe) e unidades do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Essas instituições são pontos fora da curva, que se diferenciam da massa da infraestrutura no Brasil. São centros maiores, com equipes multidisciplinares e equipamentos de uso multiusuário.”

Levantamento
O estudo partiu de trabalhos da Assessoria de Acompanhamento e Avaliação do MCTI (Ascav), já chefiada por Fernanda, e de questionários aplicados em 2013. A Secretaria Executiva da pasta (Sexec) encomendou o mapeamento ao Ipea e ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI).

Segundo Fernanda, até então, não havia no país nenhum levantamento sistematizado sobre a localização, a quantidade e a situação da infraestrutura de pesquisa. “Idealizado o estudo, primeiro, para subsidiar política pública. A segunda motivação foi avaliar os efeitos das políticas já existentes sobre o cenário”, recordou. “E um terceiro objetivo era facilitar que pesquisadores e empresas soubessem onde encontrar determinados laboratórios, equipamentos e instalações. Esse é um gargalo ainda a ser resolvido.”

Para a diretora, o próximo passo será comparar a infraestrutura nacional a de outros países, a fim de tirar lições das experiências. “Visitamos laboratórios dos Estados Unidos e planejamos ampliar o trabalho a países europeus.”

A palestra integra um ciclo de seminários organizado pela Sexec, que proporcionou apresentações da consultora Maureen Flores, acerca de ecossistema digital do esporte, do diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Antonio José Roque, sobre o acelerador Sirius, e da servidora Regina Gusmão, a respeito de parcerias com o Reino Unido.

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