RenovaCalc: Ferramenta determinará o diferencial competitivo entre as usinas no RenovaBio

Publicado em 13/09/2017
Nova Cana, 11 de setembro de 2017

Com o programa RenovaBio, as usinas produtoras de biocombustíveis serão como estudantes às vésperas do vestibular. Elas passarão por uma avaliação e receberão uma nota que determinará como será a sua vida nos próximos meses ou anos – sendo que elas sempre podem se esforçar mais e melhorar essa nota. Só que esse ‘vestibular’ tem um nome próprio: RenovaCalc.

Para incentivar o aumento da produção nacional de biocombustíveis, o programa nacional RenovaBio deve trazer uma vantagem competitiva para as companhias que apresentarem processos produtivos com menos emissão de carbono. Isso deve acontecer por meio dos Créditos de Descarbonização (CBios), que serão negociados em bolsa de valores e funcionarão como um novo produto para as companhias.

Mas, antes disso, as usinas interessadas em emitir CBios precisarão comprovar a eficiência ambiental de seus processos produtivos – e é nesse momento que entra a RenovaCalc. Essa ferramenta funciona como uma calculadora, onde as empresas deverão detalhar aspectos agrícolas e industriais que resultam na emissão de carbono. A emissão total será comparada com a do combustível fóssil equivalente (a gasolina, no caso do etanol, ou o diesel, para o biodiesel) resultando em na nota final, que caracteriza a mitigação das emissões. Essa nota se transformará em um fator multiplicador no momento da emissão dos CBios.

Entre os parâmetros que farão parte do processamento dos dados estão o consumo de diesel e outros combustíveis, o recolhimento de resíduos agrícolas, a área queimada, o rendimento industrial, a utilização de enzimas, a cogeração de energia elétrica, entre outros.

Para explicar como será esse processo, como funciona a calculadora e qual é a diferença de nota esperada de acordo com os perfis de diferentes usinas, o NovaCana Ethanol Conference irá apresentar o painel “Calculadora do RenovaBio”, formado por três profissionais que atuaram no desenvolvimento da ferramenta.

O primeiro deles é o professor Joaquim Seabra, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele possui doutorado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela mesma instituição e pós-doutorado em Biorefinery Analysis, no National Renewable Energy Laboratory (NREL). Há mais de dez anos, desenvolve projetos de avaliação de sistemas bioenergéticos junto a instituições governamentais e privadas.

Já a pesquisadora Marília Folegatti Matsuura, da Embrapa Meio Ambiente, tem mestrado e doutorado em Tecnologia de Alimentos pela Unicamp. Desde 2009, ela atua em projetos de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), compreendendo estudos de análise das principais commodities agrícolas brasileiras, de produtos agroenergéticos e de sistemas de produção complexos.

Encerrando o painel está o analista do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), Mateus Chagas. Ele é graduado em engenharia química pela Unicamp e faz parte da equipe do laboratório desde janeiro de 2012, atuando nas áreas de modelagem e simulação de sistemas agrícolas de produção de biomassa e ACV em bioenergia.


Palestra: RenovaCalc – a calculadora do RenovaBio

Por: Joaquim Seabra (Unicamp), Marília Folegatti Matsuura (Embrapa) e Mateus Chagas (CTBE)
Data: 25 de setembro às 16h50
Local: Hotel Tivoli – Mofarrej

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Você pode fazer a inscrição aqui.

 


Uma nova fonte de renda para as usinas

Um dos principais aspectos do RenovaBio é que ele pretende “precificar a externalidade positiva”. Traduzindo: o programa deve propiciar um ganho de receita para as usinas que tiverem um processo produtivo menos agressivo para o meio ambiente. Isso, muitas vezes, é relacionado a técnicas de manejo agrícola modernas e maquinário eficiente, por exemplo.

Ao longo da palestra a ser realizada no NovaCana Ethanol Conference, os desenvolvedores da RenovaCalc irão explicar quais aspectos serão considerados e de que forma, inclusive com imagens da própria calculadora e de seus campos de preenchimento. A análise apresentada envolve todo o caminho do produto, desde o campo até a bomba do posto de combustíveis.

Por sua vez, uma análise de sensibilidade mostrará de que maneira as usinas poderão se diferenciar, trazendo o impacto para a nota de aspectos como a utilização da palha de cana no processo, variações na produtividade industrial, variações na produtividade agrícola e uso de diferentes fontes de nitrogênio.

Espaço do etanol de cana

O programa nacional também será comparado com outras iniciativas similares, como o RFS, dos Estados Unidos; o LCFS, do governo da Califórnia; e o RED, da União Europeia. Todos esses programas possuem suas próprias calculadoras, que foram estudadas pelos pesquisadores e levadas em consideração na formulação da RenovaCalc.

Nesse caso, um ponto importante é a análise de mudança de uso da terra (MUT), que é encarada de diferentes maneiras por cada legislação e que tem o potencial de trazer uma grande variação nas notas para o RenovaBio. Isso acontece porque diversos aspectos devem ser levados em consideração, como o compromisso nacional contra o desmatamento e a consequência de uma expansão territorial da cana-de-açúcar sobre outras culturas.

Além disso, as usinas de etanol de cana-de-açúcar serão colocadas em contexto dentro do programa. Afinal, a calculadora será usada para diversos biocombustíveis, incluindo etanol de milho, biodiesel de sebo bovino, bioquerosene e biometano.

A programação completa do NovaCana Ethanol Conference está disponível aqui e o cadastro para participar do evento pode ser feito aqui.

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