Pesquisador da USP comenta matéria sobre acelerador nacional de partículas

Publicado em 17/08/2010
Jornal da Ciência, em 17/08/2010

“Além do LNLS temos em operação outros aceleradores de partículas destinados a pesquisas em física, seja ela básica ou aplicada”

Leia o comentário de Alexandre Suaide, pesquisador do Departamento de Física Nuclear da Universidade de São Paulo (USP):

“Com respeito à matéria no Jornal da Ciência do último dia 16 de agosto, intitulada “Acelerador nacional será mais potente”, originalmente publicada no jornal “Folha de SP” do dia 14 de agosto, gostaria de corrigir alguns pontos sobre aceleradores de partículas no Brasil.

No segundo parágrafo é escrito:
“Pesquisadores brasileiros já estão trabalhando em protótipos para o segundo acelerador de partículas do país (e da América Latina)… ” e, mais tarde, no terceiro parágrafo:

“Diferentemente do acelerador do Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), os aceleradores brasileiros – o que já existe e o que deve ser construído – …”

A matéria trata do assunto “aceleradores de partículas” como se o LNLS fosse o único acelerador de partículas no Brasil e na América Latina. Essa informação é incorreta e desmerece grandes cientistas brasileiros como Oscar Sala e Marcelo Damy, pioneiros na pesquisa em física com aceleradores no Brasil, nos meados do século XX, com a instalação dos aceleradores Van de Graaff e Betatron, no Instituto de Física da USP.

Além do LNLS temos em operação outros aceleradores de partículas destinados a pesquisas em física, seja ela básica ou aplicada. Podemos citar o Pelletron (e futuro Linac), no Instituto de Física da USP, em operação há quase 40 anos, que realiza pesquisas em física nuclear básica e aplicada com feixes hadrônicos de baixa energia, cujos objetivos principais, atualmente, são o estudo de núcleos exóticos, astrofísica nuclear e estrutura nuclear.

O LAMFI, também do IFUSP, realiza diversas atividades em pesquisa aplicada, com forte caráter interdisciplinar. Devemos também lembrar do Microton, novo acelerador de elétrons do IFUSP, que substituiu o antigo acelerador linear. Esse, além de ter iniciado operações recentemente, foi construído com forte desenvolvimento de tecnologia nacional. Isso apenas em um instituto de pesquisa.

Há outros, como o Acelerador Van de Graaff da PUC do Rio de Janeiro, que realiza pesquisas em física de materiais, física atômica, pesquisa atmosférica, dentre outras. Esses são somente alguns exemplos que mostram a riqueza da pesquisa utilizando aceleradores de partículas no Brasil. Devemos lembrar também a existência de aceleradores em outros países da América Latina, sendo o Tandar, na Argentina, talvez o mais conhecido entre os físicos nucleares brasileiros.

Nesse sentido, a matéria generaliza alguns aspectos particulares do tipo de acelerador a ser construído. O LNLS é a única fonte de luz síncroton da América Latina, não há dúvida quanto a isso, e o novo acelerador será uma importante atualização, criando novas perspectivas de pesquisa no Brasil. Mas não é o único acelerador de partículas existente por aqui.”
Link da matéria:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72869

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