CTBE dá início ao Projeto Sucre

UDOP em 30/11/15

Converter bagaço e palha de cana-de-açúcar em eletricidade, em usinas de açúcar e etanol, representa uma excelente oportunidade para ampliar a produção sustentável de energia elétrica no Brasil. Engajado nessa missão, o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) iniciou neste ano o Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity).

O SUCRE tem como objetivo principal a aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio do uso da palha produzida durante a colheita, suplementando o bagaço. Para isso, o CTBE atuará junto à União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA) e a quatro usinas parceiras – que já recolhem palha para gerar eletricidade – para desenvolver soluções que elevem tal geração à plenitude da tecnologia disponível.

A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e gerida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ao todo, serão cinco anos de projeto e um investimento de cerca de US$ 67,5 milhões.

Dados do projeto indicam que cerca de 10.400 MW de energia são geradas em usinas de açúcar e etanol, sendo cerda de metade dessa quantia consumida pelas usinas e a outra metade exportada para o sistema elétrico brasileiro. Entretanto, somente a otimização da tecnologia empregada (em escala nacional) ampliaria essa produção em sete vezes.

O líder do projeto no CTBE, Manoel Regis Lima Verde Leal, explica que para cumprir os objetivos do projeto, dividiu-se sua execução em sete frentes de trabalho que almejam distintos resultados.

A equipe do projeto busca identificar detalhadamente e vencer as barreiras que impedem as usinas parceiras de gerarem eletricidade em plenitude, de forma sistemática. “A palha contém cerca de um terço da energia primária presente na cana-de-açúcar. Esperamos aumentar em cerca de 60% a eletricidade excedente gerada pela melhor tecnologia empregada nas quatro usinas”, comenta Leal.

Usinas parceiras e importância do CTBE para o projeto

As usinas que participarão da etapa inicial do projeto, que prevê o desenvolvimento de soluções que resolvam gargalos técnicos no recolhimento, transporte e conversão de palha em eletricidade são: Usina Alta Mogiana (localizada em São Joaquim da Barra – SP), Usina da Pedra (localizada em Serrana – SP), Usina Quatá (localizada em Quatá – SP) e Usina da Barra (localizada em Barra Bonita – SP).

De acordo com Leal, estas usinas se destacam pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos na geração de eletricidade a partir de bagaço e da palha de cana. Entretanto, há gargalos a serem resolvidos, como o alto nível de impureza presente na palha enfardada, os elevados custos de recolhimento do material no campo e as barreiras no marco regulatório que obrigam as usinas a arcarem com os custos de conexão entre a usina e as linhas de transmissão de eletricidade. “Em usinas afastadas de subestações de energia esses custos são elevados e podem inviabilizar a implantação da tecnologia”, explica Leal.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do PNUD/Brasil, Rose Diegues, explicou durante o workshop de lançamento do SUCRE, realizado no CTBE em junho de 2015, que os resultados obtidos com as usinas parceiras serão aplicados em outras usinas na segunda fase do projeto. A meta da equipe é encontrar no mínimo sete outras usinas interessadas em implantar as melhores práticas desenvolvidas no SUCRE. Essas serão contempladas com estudos de viabilidade técnico-econômica para a geração de eletricidade a partir da palha de cana em suas instalações.

Diegues também ressaltou a importância do CTBE para o sucesso do SUCRE. “Escolhemos o CTBE para executar este projeto audacioso porque eles possuem o conhecimento técnico e a infraestrutura necessária para coordenar as ações, além de estarem situados próximo ao maior polo produtor de cana do Brasil”, afirma Diegues.

 

Repercussão: Cana Oeste

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