Primeiros experimentos feitos em novo acelerador brasileiro investigam proteína do vírus da COVID-19

Publicado em 31/07/2020
por Scientific American Brasil em 14/07/2020

Cristais de proteínas de SARS-CoV-2 foram analisados em iniciativa para apoiar estudos para tratamentos contra a doença

Instalações do Sirius

Uma proteína essencial para o ciclo de vida do vírus causador da COVID-19 é  o objeto dos primeiros estudos realizados no Sirius, o novo acelerador fonte de luz sincrotron que foi projetado e desenvolvido por pesquisadores brasileiros.  Os testes ocorreram esta semana no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que fica na cidade de Campinas, no interior de São Paulo.

As análises foram feitas em uma  das duas linhas de luz atualmente operacionais, dentre as 13 que estão previstas para a primeira fase de suas atividades.  A linha de luz se utiliza da difração de raios x para revelar a posição de cada um dos átomos que compõe a proteína, o que auxilia os pesquisadores a investigar a sua ação no organismo e sua interação com moléculas que têm potencial para o desenvolvimento de fármacos.

A amostra analisada foi a proteína 3CL, que participa do processo de replicação do SARS-CoV-2 dentro do organismo. Esses primeiros resultados revelam detalhes da estrutura atômica dessa proteína, informações importantes  para embasar estudos de futuros  tratamentos para a COVID-19.

Esses primeiros experimentos são parte de um esforço da CNPEM para disponibilizar uma  ferramenta para pesquisadores empenhados em estudos relacionados à atual pandemia.  Kleber Franchini, Diretor do Laboratório Nacional de Biociências, que faz parte do CNPEM, explica que as primeiras observações serviram para testar o equipamento. “Inicialmente, reproduzimos a estrutura de uma proteína já conhecida para testar os resultados gerados pela linha de luz. Com a obtenção de dados confiáveis e competitivos, vamos aprofundar os estudos em biologia molecular e estrutural que integram nossa força-tarefa contra o SARS-CoV-2″, explica. “Temos vários grupos de pesquisadores mobilizados para investigar os mecanismos moleculares relacionados à atividade dessa proteína, buscar inibidores de sua atividade, estudar outras proteínas virais e gerar conhecimentos que podem apoiar o desenvolvimento de medicamentos contra a doença.”