Encontro conecta ciência, pesquisa clínica e desenvolvimento tecnológico para o SUS e está alinhado ao Programa de Inovação Radical em Saúde
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), recebeu, nesta quinta-feira (26), um encontro promovido pelo Ministério da Saúde (MS) com o objetivo de fortalecer parcerias institucionais e avançar no desenvolvimento de soluções inovadoras em saúde voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Encontro promovido pelo MS reuniu pesquisadores do CNPEM, da Universidades de Oxford e representantes de hospitais de excelência brasileiros (Imagem: Luis Oliveira – ASCOM/MS)
A agenda reuniu pesquisadores da Universidade de Oxford e representantes de hospitais de excelência no País, em uma programação que incluiu a apresentação de pesquisas e soluções em saúde, com foco na saúde pública, desenvolvidas nas áreas de atuação do CNPEM. As atividades também contemplaram visitas às instalações do Centro, incluindo o Sirius, fonte de luz síncrotron de quarta geração.
“Para o CNPEM, cada interação com o Ministério da Saúde representa um passo importante para concretizar o nosso objetivo de contribuir de forma mais direta com o SUS. Esse encontro permitiu apresentar a integração das diferentes unidades do Centro no desenvolvimento de soluções para a área da saúde, o que amplia o repertório dos parceiros e estimula novas colaborações. O CNPEM atua como um hub que conecta pesquisa básica, pesquisa aplicada e hospitais de referência, criando o ambiente ideal para o desenvolvimento de projetos transformadores, especialmente em áreas estratégicas como a imuno oncologia”, afirma Maria Augusta Arruda, diretora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do CNPEM.
A iniciativa está alinhada às ações do Programa de Inovação Radical em Saúde, conduzido pelo Ministério da Saúde, que busca articular diferentes atores do ecossistema de inovação para o desenvolvimento de soluções em saúde. Nesse contexto, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais abrigará um núcleo do ecossistema nacional dedicado ao desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) – com o objetivo de reduzir a dependência brasileira de importações, que hoje supera 90% – além de tecnologias biomédicas avançadas e soluções terapêuticas inovadoras.
“Essa visita está diretamente ligada à parceria que começamos a construir com a Universidade de Oxford, a partir de um memorando de entendimento entre os ministérios da Saúde do Brasil e do Reino Unido. A ideia é reunir diferentes atores, como Oxford, hospitais de excelência e o CNPEM para pensar, de forma conjunta, em projetos inovadores, especialmente na área de imunooncologia, com foco em terapias e vacinas contra o câncer”, afirma Luciana Leão, assessora da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde (MS).
Segundo a representante do MS, a iniciativa também busca ampliar a articulação entre instituições e estimular o surgimento de novas agendas de pesquisa colaborativa. “Um dos papéis do Ministério da Saúde é justamente criar essas pontes e facilitar conexões entre instituições. A partir dessa articulação, conseguimos avançar não apenas em programas estruturantes, mas também abrir espaço para novas colaborações que podem surgir a partir desse primeiro contato”, acrescenta.
A colaboração entre Brasil e Reino Unido reúne competências complementares, integrando a infraestrutura científica e as soluções já desenvolvidas no país com a experiência internacional em pesquisa clínica e desenvolvimento de novas terapias. Essa articulação amplia o potencial de geração de conhecimento e de desenvolvimento de soluções com impacto em sistemas públicos de saúde.
“O CNPEM reúne algumas das infraestruturas científicas mais avançadas que já vi, que vão do Sirius, fonte de luz síncrotron de quarta geração, ao Orion, projeto que inclui instalações de biossegurança de nível 4 (NB4), que serão as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron. Essa combinação cria um ambiente único para colaboração internacional, e esperamos fortalecer as parcerias de pesquisa com o Brasil nos próximos anos”, afirma o Prof. Timothy Elliott, co-diretor do Cancer Research UK Oxford Centre e diretor do Centre for Immuno-Oncology (CIO), da Universidade de Oxford.
Da descoberta científica à aplicação clínica
Durante a programação, o pesquisador Lennard Yu Wee Lee, da University of Oxford, apresentou as linhas de pesquisa desenvolvidas pela instituição na área de vacinas oncológicas, com foco no uso de inteligência artificial para orientar o desenvolvimento de novas terapias.
As pesquisas estão centradas na criação de modelos capazes de prever a resposta imunológica de pacientes e apoiar a seleção de alvos terapêuticos mais eficazes para cada caso. Esses sistemas utilizam grandes volumes de dados biológicos e clínicos para aprimorar continuamente a precisão das previsões, com o objetivo de tornar os tratamentos mais personalizados.
A integração com dados de diferentes populações, incluindo a brasileira, é considerada estratégica para ampliar a eficácia dessas abordagens em escala global.“Para que soluções inovadoras em saúde, como vacinas oncológicas, sejam eficazes em escala global, é essencial avançar na colaboração internacional. Parcerias com instituições como o CNPEM permitem integrar dados e capacidades de diferentes regiões, tornando essas abordagens mais representativas e eficazes”, afirmam o Dr. Lennard Lee, cientista de inteligência artificial e oncologista clínico, e a Dra. Isabela Pedroza-Pacheco, líder de grupo do Centro de Imuno Oncologia, da Universidade de Oxford.
A participação dos hospitais de excelência, instituições com atuação em assistência especializada e em pesquisa clínica é fundamental para viabilizar a translação dessas descobertas para o cuidado ao paciente. Nesse processo, a pesquisa clínica permite avaliar, em pacientes, a segurança e a eficácia de novas terapias desenvolvidas em ambiente laboratorial, conectando a geração de conhecimento científico à sua aplicação no SUS.
“A integração entre uma instituição com forte atuação clínica, como o AC Camargo, e uma infraestrutura de ciência básica, como a do CNPEM, cria uma oportunidade única de aproximar os desafios do cuidado ao paciente das soluções científicas. Essa complementaridade pode acelerar a inovação e contribuir para uma oncologia mais justa, equânime e diversa no País. Ao mesmo tempo, é fundamental avançar para um modelo mais colaborativo, em que centros com alta capacidade tecnológica atuem como hubs a serviço de diferentes instituições, combinando competências e ampliando o impacto da pesquisa”, afirma Victor Piana, CEO do AC Camargo Cancer Center.
“Esse encontro evidencia a oportunidade de estruturar um grande projeto colaborativo em pesquisa, reunindo o CNPEM, a Universidade de Oxford e hospitais de excelência. Essa articulação é fundamental para avançarmos em áreas estratégicas, como estudos clínicos em fase inicial e pesquisas em câncer, além de ampliar o uso de dados de mundo real e a capacidade de transformar conhecimento em soluções concretas para o sistema de saúde”, afirma Daniela Cristina dos Santos, Coordenadora do escritório de projetos do Proadi-SUS do Hospital Moinhos de Vento
Agenda
A visita ao CNPEM integra uma agenda mais ampla promovida pelo Ministério da Saúde ao longo da semana, no âmbito da cooperação entre Brasil e Reino Unido voltada ao desenvolvimento tecnológico e ao fortalecimento dos sistemas de saúde dos dois países.
Além da participação no evento Diálogo em Saúde Brasil–Reino Unido, realizado no Rio de Janeiro, os participantes também realizaram uma visita ao AC Camargo Câncer Center, em São Paulo, onde aprofundaram as discussões iniciadas ao longo da semana e avaliaram possíveis desdobramentos das parcerias.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).