O projeto de conclusão de curso desenvolvido por Raphaella Gonçalves durante sua graduação na Ilum Escola de Ciência , a faculdade do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), concluída no final de 2024, ultrapassou os limites da sala de aula e do laboratório didático. O trabalho, dedicado ao desenvolvimento de novos materiais para a produção de hidrogênio verde, resultou recentemente na publicação de um artigo científico em periódico internacional da Royal Society of Chemistry, uma das editoras científicas mais respeitadas do mundo.
A pesquisa teve início ainda durante as férias entre 2023 e 2024 e foi conduzida ao longo do último ano da graduação da estudante, no âmbito do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Bacharelado em Ciência e Tecnologia da Ilum. Motivada pelo contato com temas ligados a transição energética nas disciplinas experimentais do curso, Raphaella decidiu investigar alternativas mais sustentáveis e acessíveis para a produção de hidrogênio verde — vetor energético considerado estratégico para a descarbonização da economia.
“Eu tive contato com a temática da produção de hidrogênio nas aulas de laboratório e aquilo me chamou muito a atenção. Era algo que eu desconhecia antes de entrar na Ilum e que passei a enxergar como uma possibilidade real de contribuição para a sociedade”, explica a pesquisadora, que atualmente faz mestrado em Nanociências e Materiais Avançados na UFABC.

Ex-aluna da Ilum transforma TCC em artigo científico sobre hidrogênio verde (Divulgação/CNPEM)
No trabalho, Raphaella desenvolveu um eletrodo baseado em dissulfeto de molibdênio (MoS₂), um material promissor para reações eletroquímicas, estruturado em forma de esferas ocas de carbono. A proposta buscou não apenas eficiência energética, mas também o uso de materiais mais abundantes, menos tóxicos e com menor impacto ambiental em comparação aos catalisadores tradicionais, como a platina.
“O grande desafio não é apenas obter um material eficiente, mas pensar em toda a viabilidade ambiental e econômica do processo. Trabalhei com materiais mais acessíveis e métodos de síntese menos agressivos ao meio ambiente, sem perder de vista o desempenho eletroquímico”, afirma.
A pesquisa foi realizada com uso da infraestrutura do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano/CNPEM) e contou com a supervisão científica de Murilo Santhiago, pesquisador da área de hidrogênio verde. O modelo pedagógico da Ilum, que estimula a autonomia intelectual dos estudantes, foi decisivo para a condução do trabalho.
“Na Ilum, o projeto final é realmente do estudante. O supervisor não dá respostas prontas, ele provoca o pensamento. Isso me fez amadurecer muito como pesquisadora, aprender a lidar com frustrações e a transformar resultados negativos em aprendizado”, relata Raphaella.
Após a conclusão do TCC, os resultados obtidos despertaram interesse para além do ambiente acadêmico da graduação. Com apoio de colaboradores do LNNano, o trabalho foi aprofundado e deu origem ao artigo científico publicado no final de 2025, tendo Raphaella como primeira autora. O estudo também recebeu 2 premiações como melhor pôster no Encontro Anual da Sociedade Brasileira de Materiais (SBPMat), reforçando seu impacto e relevância.
“A minha intenção nunca foi fazer um TCC apenas para cumprir uma etapa da graduação. Desde o início, eu queria desenvolver algo que pudesse ser compartilhado com a comunidade científica, que abrisse caminho para novos estudos e aplicações”, destaca.
Natural de Minas Gerais, Raphaella possui uma trajetória acadêmica marcada pela interdisciplinaridade. Antes de ingressar na Ilum, foi graduada em Arquitetura e Urbanismo, mas decidiu mudar de área para seguir a vocação científica. “O TCC foi um divisor de águas. Ele me mostrou que eu era capaz de conduzir um projeto científico complexo, do início ao fim. Ver esse trabalho se transformar em um artigo publicado é a confirmação de que valeu a pena persistir”, conclui.
Sobre a Ilum Escola de Ciência
A Ilum é uma escola de Ensino Superior gratuita, que emprega uma abordagem interdisciplinar para a formação de cientistas e profissionais em Ciência e Tecnologia. Com um modelo educacional inovador, o bacharelado de três anos oferece aulas em tempo integral, conectando Ciências da Vida, Ciências da Matéria, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Humanidades para formar pesquisadores aptos a atuar de forma ética e colaborativa na busca por soluções às questões globais do século XXI. A Ilum é financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua proposta de ensino oferece contato precoce com atividades experimentais, seja nos laboratórios didáticos da Ilum ou no CNPEM, em projetos desenvolvidos junto aos pesquisadores.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).






