Capacitação prepara profissionais para atuação em ambientes de alta contenção biológica (NB3) fortalecendo a base técnica para a futura operação do Orion

Legenda: Treinamento envolve sessões teóricas e práticas em um laboratório de simulação projetado como réplica fiel das instalações que caracterizam ambientes NB3 e NB4 (Créditos: Divulgação/CNPEM)
Colaboradores do Instituto Butantan participaram, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, de três turmas de capacitação em laboratórios de nível de biossegurança 3 (NB3), realizadas no laboratório de treinamento do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). Ao todo, 24 colaboradores do Instituto Butantan foram capacitados.
A iniciativa integra o Programa de Treinamento & Capacitação em Laboratórios NB3, que deve ser expandido para abarcar capacitações de biossegurança em laboratórios NB4 no projeto Orion, que irá reunir as primeiras instalações de máxima contenção biológica (NB4) da América Latina, e as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. O programa foi concebido como etapa essencial de preparação para a operação do Orion, e estruturado para fortalecer a formação de recursos humanos aptos a atuar em ambientes de alta e máxima contenção biológica.
O treinamento do Instituto Butantan foi conduzido em um laboratório de simulação projetado como réplica fiel das instalações que caracterizam ambientes NB3 e NB4. O espaço permite que pesquisadores vivenciem, de forma realista, as rotinas operacionais e os protocolos rigorosos de biossegurança exigidos nesses ambientes, sem a manipulação de agentes infecciosos. As formações ocorreram nos períodos de 3 a 6 de novembro de 2025, de 26 a 30 de janeiro de 2026 e de 9 a 12 de fevereiro de 2026.
Para os participantes, o diferencial da capacitação está na vivência prática e no compartilhamento de experiências com profissionais que já atuaram em laboratórios NB3. “Esse tipo de treinamento, com pessoal que trabalhou em NB3, aborda a parte prática. Você pode ler quantos manuais quiser, mas mostrar na prática como paramentar, como agir em caso de derramamento, como fechar o avental corretamente; só quem viveu NB3 consegue passar”, afirma Mauricio Goldfeder, coordenador de Desenvolvimento de Processos do Butantan.
A formação também foi destacada como estratégica para o fortalecimento da capacidade nacional. “A gente sempre teve que buscar esse tipo de curso fora. Ter isso aqui dentro é maravilhoso. Muitas coisas que antes precisávamos importar estão sendo desenvolvidas aqui, e isso é muito importante para que, em momentos de crise, não fiquemos dependentes de outros países”, pontua Renata Gomes, tecnologista de laboratório da instituição. “Percebe-se que há necessidade cada vez maior de um curso como este”, ressalta a técnica de laboratório do Instituto, Rafaella Mariano Lafraia.
A realização das três turmas evidencia a crescente demanda por formação especializada no país e reforça o compromisso das instituições envolvidas com a qualificação de suas equipes. Ao promover treinamentos antes mesmo da operação do projeto Orion, o CNPEM busca contribuir para a consolidação de uma base nacional de profissionais capacitados, alinhada às melhores práticas internacionais de biossegurança.
A participação do Instituto Butantan nesse processo reforça a articulação entre instituições científicas brasileiras na construção de capacidades estratégicas para o avanço da pesquisa com patógenos e para o fortalecimento da autonomia científica nacional, especialmente diante dos desafios contemporâneos em saúde pública.
Projeto Orion
O projeto Orion será um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz sincrotron, o Sirius. Em construção na cidade de Campinas-SP, no campus do CNPEM, o Projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas a comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente. A execução do projeto Orion é de responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, é financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do MCTI e apoiado pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal, atuando como um instrumento de soberania, competência e segurança nacional nos campos científico e tecnológico para pesquisa, defesa, saúde humana, animal e ambiental. A concepção do Orion deve ainda fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), iniciativa coordenada pelo MS, voltada ao atendimento de demandas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).






