Reunião no CNPEM promove diálogo técnico-científico sobre o Orion e seu uso futuro pela comunidade acadêmica

Legenda: Representantes dos diferentes eixos temáticos do projeto Orion apresentaram ao Comitê Diretor da Rede Vírus/MCTI e às sub-redes os avanços e diretrizes técnico-científicas do projeto (Créditos: Divulga-ção/CNPEM)
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) sediou no dia 4 de fevereiro de 2026 a primeira reunião do Comitê Diretor da Rede Vírus/MCTI e de suas sub-redes, dedicada ao acompanhamento técnico-científico do projeto Orion — complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius, que está sendo executado pelo CNPEM, no seu campus situado em Campinas (SP).
A iniciativa consolida a participação da comunidade científica de virologia no acompanhamento do projeto, fortalecendo o papel da Rede Vírus como elo institucional entre pesquisadores de virologia, órgãos governamentais e a infraestrutura que dará suporte a pesquisas com patógenos de alto risco biológico.
“Apresentar o status do projeto Orion para os representantes da Rede Vírus é importante para garantir que o projeto Orion seja construído em diálogo com a comunidade e, assim, disponibilize as melhores condições para o avanço das pesquisas com patógenos no País, no que diz respeito às competências experimentais e também à formação de recursos humanos”, afirmou Antonio José Roque da Silva, Diretor-Geral do CNPEM, durante a abertura da reunião.
Ao longo da reunião, foram apresentados o status do projeto Orion, suas diretrizes técnicas e os desafios associados à operação de laboratórios de nível 3 e 4 de biossegurança (NB3 e NB4, respectivamente), além das oportunidades de cooperação científica nacional e internacional. A Rede Vírus foi apontada como um arranjo fundamental para o acompanhamento do projeto, fortalecimento do diálogo com a comunidade acadêmica e apoio para o planejamento do uso futuro do Orion.
Toda agenda foi acompanhada pelo Comitê Diretor da Rede Vírus, grupo instituído no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pela Portaria MCTI nº 9.287, de 31 de julho de 2025, que criou a Rede, e cuja composição é definida pela Portaria SEPPE/MCTI nº 9.678, de 12 de dezembro de 2025. O Comitê reúne representantes do MCTI, de agências de fomento e pesquisadores com reconhecida atuação nas áreas de virologia, vigilância, diagnóstico, vacinas, ensaios clínicos e operação de laboratórios de alta contenção, atuando como instância de assessoramento técnico-científico ao MCTI.
“O Comitê Diretor da Rede Vírus reconhece os avanços do projeto Orion e as adequações realizadas ao longo do tempo, pelas equipes do CNPEM, a partir das contribuições da comunidade científica. O acompanhamento contínuo do Projeto pelos especialistas da Rede Vírus é central para a consolidação de uma infraestrutura alinhada às necessidades do País e de seus pesquisadores e nos permite identificar e dar encaminhamento a pautas específicas, como oportunidades de parceria, programas de formação de recursos humanos, discussões de questões regulatórias, dentre outras”, afirmou Thiago Moraes, integrante do Comitê Diretor da Rede Vírus e coordenador-geral de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias do MCTI.
Além do Comitê Diretor, a reunião contou com representantes das sub-redes temáticas da Rede Vírus, instituídas pela Portaria SEPPE/MCTI nº 9.531, de 3 de novembro de 2025, que têm como objetivo organizar e articular as competências já existentes no país. Entre elas, destaca-se a sub-rede de laboratórios NB3, que reúne instalações distribuídas em diferentes instituições e regiões e desempenha papel central na articulação entre as capacidades nacionais já instaladas e o projeto Orion, contribuindo para a preparação científica, a troca de experiências e a qualificação do uso futuro da nova infraestrutura.
O vírus Nipah
A reunião ocorreu em um contexto de atenção internacional a viroses emergentes, como o vírus Nipah, recentemente notificado em novos casos na Índia. O tema foi citado como exemplo da importância de o Brasil contar com capacidades científicas avançadas e articuladas para monitorar, estudar e responder a agentes infecciosos de alto risco.
Recentemente, a Rede Vírus divulgou um informe técnico que avaliou os casos registrados na Índia e classificou como baixo o risco de disseminação do vírus para o Brasil, com base em evidências epidemiológicas atuais, no histórico de circulação do patógeno e em suas características de transmissão.
Integrante do Comitê Diretor da Rede Vírus, o pesquisador Rafael Elias Marques, líder do grupo de Virologia do CNPEM, ressaltou que, apesar da gravidade da doença causada pelo Nipah, o risco de chegada do vírus ao Brasil é considerado muito baixo.
“O Nipah é um patógeno de alta letalidade, mas sua circulação permanece restrita a regiões específicas da Ásia. A transmissão entre humanos não é altamente eficiente, o que reduz significativamente o risco de disseminação internacional”, explicou o pesquisador.
O acompanhamento de vírus emergentes e reemergentes integra uma estratégia já consolidada no país, conduzida por instituições reconhecidas internacionalmente, como a Fiocruz e o Instituto Butantan, em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS). Essas instituições mantêm capacidades técnicas, científicas e de recursos humanos fundamentais para a vigilância, o diagnóstico e a resposta a possíveis emergências sanitárias.
Nesse cenário, o projeto Orion é apresentado como um reforço estratégico às capacidades já existentes, ao ampliar as condições nacionais para a pesquisa segura com patógenos de classe 4 de risco, a formação de especialistas e o desenvolvimento de conhecimento científico de fronteira.
A reunião reforçou que a consolidação do Orion se apoia não apenas na infraestrutura física, mas também na articulação institucional, na qual a Rede Vírus desempenha papel central ao conectar ciência, políticas públicas e preparação para emergências sanitárias.
Projeto Orion
O projeto Orion será um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Em construção na cidade de Campinas-SP, no campus do CNPEM, o Projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas a comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente.
A execução do projeto Orion é de responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, é financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do MCTI e apoiado pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal, atuando como um instrumento de soberania, competência e segurança nacional nos campos científico e tecnológico para pesquisa, defesa, saúde humana, animal e ambiental. A concepção do Orion deve ainda fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), iniciativa coordenada pelo MS, voltada ao atendimento de demandas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).





