O treinamento foi ofertado para pesquisadores do Laboratório Nacional de Virologia da Universidade de Pécs (Hungria), com o objetivo de traçar uma padronização internacional em treinamentos em ambientes de alta e máxima contenção biológica
Legenda: Grupo do Laboratório Nacional de Virologia da Hungria recebe treinamento em NB3 no
laboratório de treinamento do CNPEM (Créditos: Divulgação/CNPEM)
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), através do seu Programa de Treinamento & Capacitação em laboratórios de alta contenção biológica (NB3), ofereceu o primeiro treinamento internacional em laboratórios NB3. A capacitação foi realizada entre os dias 23 e 26 de fevereiro, junto a pesquisadores do Laboratório Nacional de Virologia (National Virology Laboratory – VNL) da Universidade de Pécs (University of Pécs), na Hungria.
A iniciativa integra as ações preparatórias para o projeto Orion — complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que reunirá instalações inéditas de máxima contenção biológica (NB4) na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius, através de três linhas de luz.
Antes mesmo da inauguração do Orion, o CNPEM já conduz um programa estruturado de formação de recursos humanos, voltado ao desenvolvimento de competências ainda pouco consolidadas no Brasil e na América Latina. O objetivo é capacitar futuros usuários da infraestrutura e fortalecer equipes que já atuam em pesquisa com patógenos.
Participaram do treinamento o diretor do VNL, Gábor Kemenesi, as pesquisadoras de pós-doutorado Zsófia Lanszki e Brigitta Zana, e a doutoranda Krisztina Rebeka Leiner.
Segundo o diretor do VNL, a participação no treinamento do CNPEM contribui diretamente para a estruturação do programa de capacitação que está sendo desenvolvido na Universidade de Pécs, na Hungria. A experiência no laboratório de treinamento, que permite a prática sistemática de procedimentos em um ambiente dedicado, tem sido fundamental para consolidar protocolos, rotinas operacionais e diretrizes de biossegurança que deverão orientar a implementação desse programa em sua instituição.
De acordo com a gerente de Biossegurança do CNPEM, Tatiana Ometto, a capacitação teve como objetivo preencher uma lacuna relacionada à ausência de padrões internacionais consolidados para capacitação em biossegurança. “A parceria evidencia o compromisso do CNPEM com as melhores práticas internacionais e com a atuação na fronteira do conhecimento científico em biossegurança — alinhada ao papel estratégico que o Orion desempenhará para a ciência mundial. Essas ações reforçam e ampliam a cooperação científica entre Brasil e Europa”, destaca Tatiana.
A colaboração entre o CNPEM e o VNL envolve diferentes frentes. No final de 2025, uma integrante da equipe de Biossegurança do CNPEM realizou treinamento em laboratório NB4 na Hungria, e novas capacitações estão previstas.
No campo da pesquisa, a parceria também se fortalece. De acordo com o pesquisador líder de Virologia do CNPEM, Rafael Elias Marques, a colaboração tem caráter estratégico para o avanço científico e a preparação para emergências sanitárias. “Estabelecemos essa parceria com dois grandes focos: o treinamento e o desenvolvimento conjunto de pesquisas. Trata-se de um intercâmbio de práticas e conhecimentos que envolve desde a descoberta e caracterização de novos vírus até o uso de tecnologias avançadas de imageamento disponíveis no CNPEM”.
Elias destaca ainda que a iniciativa está diretamente conectada aos objetivos do projeto Orion. “Essa colaboração contribui para fortalecer a preparação frente a futuras epidemias e pandemias, ao mesmo tempo em que consolida o CNPEM e o VNL como parceiros estratégicos nesse esforço científico global”.
O Laboratório Nacional de Virologia da Universidade de Pécs abriga uma das infraestruturas mais avançadas da Europa Central e Oriental, sendo o único laboratório NB4 da região dedicado exclusivamente à pesquisa. A cooperação com o CNPEM reforça a integração entre Brasil e Europa em uma agenda científica voltada à biossegurança e à saúde global.
Laboratório NB4 localizado no Laboratório Nacional de Virologia,
na Universidade de Pécs, Hungria (Créditos: Reprodução VLN/University of Pécs)
Projeto Orion
O projeto Orion será um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, que compreenderá instalações de máxima contenção biológica (NB4) inéditas na América Latina, sendo as primeiras do mundo conectadas a uma fonte de luz sincrotron, o Sirius. Em construção na cidade de Campinas-SP, no campus do CNPEM, o Projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas a comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente. A execução do projeto Orion é de responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, é financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do MCTI e apoiado pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal, atuando como um instrumento de soberania, competência e segurança nacional nos campos científico e tecnológico para pesquisa, defesa, saúde humana, animal e ambiental. A concepção do Orion deve ainda fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), iniciativa coordenada pelo MS, voltada ao atendimento de demandas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).