CNPEM avança no desenvolvimento de biofármaco para tratamento de câncer de próstata

Publicado em 11/04/2022
Assessoria de Comunicação em 11/04/2022

Pesquisa demonstrou capacidade de direcionamento e eficiência de nanopartículas biológicas para ativar resposta imune e contribuir, potencialmente, com terapias antitumorais

VLPs se ligam de forma específica às células tumorais que apresentam PSMA

Partículas semelhantes a vírus (VLP) se mostraram promissoras para o desenvolvimento de uma inovadora plataforma terapêutica para tratamento do câncer de próstata. Os resultados de ensaios em cultura de células  e com modelos animais foram publicados no periódico Molecular Therapy Oncolytics por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização supervisionada pelo MInistério de CIência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

A estratégia tinha como alvo células tumorais que expressam uma proteína conhecida como PSMA, um importante biomarcador de células de câncer de próstata já utilizado para fins de diagnóstico clínico.

Os pesquisadores desenvolveram VLPs que levam na superfície, proteínas ligantes de PSMA, e moléculas que estimulam o sistema imunológico,  como TNFSF 4-1BBL, OX40L e a citocina GM-CSF. Essas partículas induzem ativação e proliferação de células de defesa, potencializando a eliminação de células tumorais

Os ensaios in vitro com células que apresentam o receptor PSMA mostraram que é possível direcionar as partículas até os alvos tumorais. Os experimentos com modelos animais confirmaram o efeito de potencialização da atividade de linfócitos que eliminaram células de câncer, bem como o de inibição da atividade de células imunossupressoras, que podem proteger as células do câncer de efeitos antitumorais.

“A partícula decorada com ligantes de PSMA apresenta tropismo para células tumorais PSMA positivas, ou seja, tem afinidade específica por essas células. Verificamos que os ligantes TNFSF 4-1BBL e OX40L estimulam a atividade de células T efetoras, aumentando níveis de proliferação, produção de citocinas antitumorais,  além de inibir o fator de transcrição FoxP3 de células T regulatórias . Essa estimulação das células T resulta na eliminação das células tumorais. As partículas alvo-dirigidas potencializam a atividade antitumoral em camundongos imunocompetentes e podem ser exploradas como uma ferramenta  inovadora para a imunoterapia contra o câncer”, prevê o pesquisador Márcio Chaim Bajgelman.

 

Desenvolvimento

O projeto de pesquisa contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O próximo passo dos estudos ainda é usar os recursos de engenharia biológica para transpor a mesma estratégia testada com sucesso em camundongos para gerar partículas, que contém o mesmo ligante PSMA e imunomoduladores adaptados para que possam ser reconhecidos pelo sistema imunológico humano. Nesta nova etapa de experimentos, serão realizados ensaios em cultura de células humanas e também serão utilizados modelos animais humanizados.

“Esses animais apresentarão enxertos de linfócitos humanos e também serão desafiados com células tumorais humanas. O modelo animal humanizado permite aprofundar a avaliação do benefício terapêutico das VLPs imunomodulatórias e também possibilitará a análise de outros efeitos, como a toxicidade, por exemplo”.

O aprofundamento dos estudos pode contribuir para que soluções bem sucedidas, eventualmente sejam incorporadas de forma combinada para aperfeiçoamento de terapias existentes.

” Nos últimos anos, temos observado que as combinações terapêuticas podem resultar em maior benefício para o tratamento de câncer. Dessa forma, justificam-se esforços na busca de novas estratégias que potencialmente podem ser usadas em combinação com outros medicamentos que já existem no mercado”.

 

Sobre o CNPEM

 

Ambiente sofisticado e efervescente de pesquisa e desenvolvimento, único no Brasil e presente em poucos centros científicos do mundo, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é uma organização privada sem fins lucrativos, sob a supervisão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

O Centro opera quatro Laboratórios Nacionais e é o berço do projeto mais complexo da ciência brasileira – Sirius – uma das fontes de luz síncrotron mais avançadas do mundo.

O CNPEM reúne equipes multitemáticas altamente especializadas, infraestruturas laboratoriais globalmente competitivas e abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores em parceria com o setor produtivo e formação de investigadores e estudantes.

O Centro é um ambiente impulsionado pela pesquisa de soluções com impacto nas áreas de Saúde, Energia e Materiais Renováveis, Agroambiental, Tecnologias Quânticas.

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