Sirius inaugura 1ª etapa e diretor vê otimismo na continuidade da obra após troca de governo

Publicado em 22/11/2018
G1, 14/11/2018

 

Maior estrutura científica do Brasil, localizada em Campinas, vai deixar país competitivo pelos próximos anos, afirma diretor do CNPEM. Presidente Michel Temer acompanhou inauguração.

 

Sirius tem 68 mil metros quadrados de área construída, em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

A primeira etapa da obra do Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração que compõe a maior estrutura científica do Brasil, foi inaugurada nesta quarta-feira (14), em meio ao otimismo pela continuidade dos trabalhos em 2019, após a troca de governo, para início das pesquisas. O investimento total é orçado em R$ 1,8 bilhão. Entenda como funciona o Sirius.

Diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e diretor do projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva espera que os R$ 270 milhões previstos no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) pelo atual governo sejam aprovados sem emendas pela Câmara dos Deputados, uma vez que o valor é o necessário para a conclusão das obras do ano que vem, com abertura do equipamento aos pesquisadores com seis linhas ativas no segundo semestre.

Silva mostra otimismo de que o próximo governo mantenha o investimento nas áreas de ciências e tecnologia, principalmente pelo fato de o presidente eleito, Jair Bolsonaro, já ter indicado o futuro ministro da pasta.

“O que eu entendo com isso [indicação do Marcos Pontes],é um reconhecimento que o presidente eleito está dando para a área”, destaca.

“As primeiras declarações do ministro indicado Marcos Pontes é que ele também dá a entender que reconhece a importancia da ciência e tecnologia para o desenvolvimento do país, e com isso a gente fica com a esperança que ele apoie não somente o projeto, mas toda a comunidade de ciência e tecnologia”, completa o diretor.

Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1

Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1

1ª etapa

A inauguração da 1ª etapa teve a presença do presidente da República Michel Temer e do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação, Gilberto Kassab (PSD). Este ano, R$ 70 milhões referentes a uma verba suplementar foram aplicados no Sirius, além da dotação orçamentária.

“Nós estamos neste momento já com o feixe circulando nos dois primeiros aceleradores e montando o terceiro acelerador, que os recursos foram assegurados pra isso. A gente deve, até o final do ano, atingir a energia final no sistema de injeção. E, no início do ano que vem, injetar elétrons no acelerador principal”, explica o diretor.

Presidente Michel Temer esteve em Campinas para inauguração do projeto Sirius. — Foto: Fernando Evans/G1Presidente Michel Temer esteve em Campinas para inauguração do projeto Sirius. — Foto: Fernando Evans/G1

Presidente Michel Temer esteve em Campinas para inauguração do projeto Sirius. — Foto: Fernando Evans/G1

equipamento extremamente sofisticado com milhares de componentes está sendo montado, e a programação é de que em 2020 o Sirius tenha 13 linhas ativas para pesquisas.

O prédio foi projetado para ter entre 600 e 800 pessoas quando estiver na capacidade máxima, e 40 estações experimentais simultâneas.

Mapa  - Onde fica o projeto Sirius — Foto: Igor Estrella/G1Mapa  - Onde fica o projeto Sirius — Foto: Igor Estrella/G1

Mapa – Onde fica o projeto Sirius — Foto: Igor Estrella/G1

“A gente construiu um prédio e um equipamento pensando nas próximas décadas, e não somente no hoje. É um equipamento que vai deixar o Brasil competitivo pelos próximos anos e, portanto, ele tem capacidade de expansão em todas as suas características”.

Comparado ao Maracanã dos laboratórios pelo presidente Michel Temer e pelo ministro Gilberto Kassab, durante a inaguração, o Sirius, na opinião de Antônio José Roque da Silva, entra em campo “ganhando de goleada”.

“O Brasil marcou um grande golaço. Eu poderia até brincar aqui. Nesse estádio aqui, o Brasil está ganhando de 7 a 1.”

Presidente Michel Temer e ministro Gilberto Kassab com cientistas do CNPEM na inauguração do laboratório Sirius — Foto: Fernando Evans/G1

Presidente Michel Temer e ministro Gilberto Kassab com cientistas do CNPEM na inauguração do laboratório Sirius — Foto: Fernando Evans/G1

Atualmente há apenas um laboratório da 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O Sirius foi projetado para ter o maior brilho do mundo entre as fontes com sua faixa de energia.

Quando o Sirius estiver em atividade – substituindo a atual fonte de luz usada no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) -, estima-se que uma pesquisa que atualmente é feita em 10 horas nos equipamentos mais avançados do mundo poderá ser concluída em 10 segundos.

Maior obra científica do Brasil, Sirius fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: Cesar CoccoMaior obra científica do Brasil, Sirius fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: Cesar Cocco

Maior obra científica do Brasil, Sirius fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: Cesar Cocco

 

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