Petróleo e Gás Natural

Publicado em 27/07/2009

2009 – Portal Investe São Paulo

A cadeia produtiva de petróleo e gás natural é bastante ampla. Tradicionalmente, pode ser dividida em dois grandes blocos: as atividades do upstream (exploração e produção) e as do downstream (transporte, refino e distribuição). Entretanto, suas ligações são mais extensas, na medida em que as atividades citadas utilizam grande número de equipamentos complexos e específicos (plataformas, dutos, equipamentos para refino e processamento) e serviços especializados (engenharia, automação, consultoria, construção, manutenção e segurança, entre outros).

No segmento de refino, a participação do Estado de São Paulo assume destaque. Suas quatro refinarias respondem por 42% da capacidade total do país, além de serem responsáveis por importante capacidade de produção de derivados nobres e de processamento de petróleo pesado de origem nacional. Esse destaque estadual na estrutura de refino do país relaciona-se estreitamente ao mercado regional de combustíveis, no qual São Paulo assume relevância, com parcela superior a um quarto do mercado nacional. Da mesma forma que ocorre para os derivados de petróleo, o mercado paulista se destaca também em relação ao consumo de gás natural: maior mercado do país, sua participação foi de 39% em 2007.

Historicamente, o Estado de São Paulo caracterizava-se pela amplitude de seu mercado consumidor de combustíveis e pela inexistência de campos de onde pudessem ser extraídas quantidades significativas de petróleo e gás natural – GN. Isso mudou, primeiro, com as descobertas de gás natural na Bacia de Santos, um marco na indústria de gás natural do Estado e do país. O campo de Mexilhão, a primeira grande descoberta de GN na Bacia de Santos, deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2010, produzindo cerca de 15 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente ao consumo atual de todo o Estado.

Outras descobertas de gás natural e petróleo leve em grandes quantidades na Bacia de Santos ampliaram ainda mais o potencial do Estado para a cadeia do setor. Até 2013, o conjunto de reservas do pré-sal deverá disponibilizar para o mercado cerca de 7 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural e 219 mil barris/dia de óleo. Nesse sentido, São Paulo, por possuir parcela significativa do parque nacional de fabricantes de equipamentos para o segmento de petróleo (superior a 40%) e um conjunto estruturado de instituições de ensino e pesquisa, ao longo dos próximos anos, deverá destacar-se como referência tecnológica.

Com foco nesse potencial, em setembro de 2007, o governo do Estado criou a Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural do Estado de São Paulo, voltada para o desenvolvimento de trabalhos com o objetivo de internalizar os benefícios econômicos e sociais das atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, atender às demandas da cadeia produtiva do setor, fortalecer e qualificar o parque industrial paulista e ampliar a pesquisa tecnológica e de inovação, entre outros.

Na esfera federal, destaca-se o Programa Nacional de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás Natural – Prominp, responsável, entre outros projetos, pelo Programa Nacional de Qualificação Profissional – PNQP, cujo objetivo é ampliar a formação de mão-de-obra a partir de cursos oferecidos em conjunto com instituições regionais, como as Fatecs e o IFSP.

Voltado para o estímulo da inovação e para a formação e a qualificação de recursos humanos da cadeia produtiva do setor, o Fundo Setorial do Petróleo e Gás Natural – CTPETRO, da Finep, tem liberado recursos para diversas instituições paulistas, entre elas, o Centro de Estudos de Petróleo – Cepetro e o Instituto de Química, ambos da Unicamp; a Escola Politécnica e o Departamento de Engenharia Naval e Oceânica, da USP; o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT; a Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron – ABTLUS. Em linhas gerais, os projetos são voltados para o aumento da produção e da produtividade, a redução de custos e preços e a melhoria da qualidade dos produtos do setor.

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