O microscópio e a ciência como opção para crianças e adolescentes de comunidades carentes

Publicado em 23/07/2015
Comunicação CNPEM, em 23 de julho de 2015

IMG_2179 (3)A pesquisadora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), Ana Carolina de Mattos Zeri, fez sucesso na Expo T&C, durante a 67a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O kit de microscópios óticos que ela trouxe ao estande do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) encantou centenas de crianças que visitaram a feira entre os dias 13 e 18 de julho. Muitas delas trouxeram insetos, pedaços de plantas e outros materiais para serem visualizados em versão ampliada.

Zeri também apresentou uma palestra no auditório da Expo T&C no dia 16, intitulada “Microscópios e biomoléculas na caixa de brinquedos”. Nela a pesquisadora do LNBio falou sobre a evolução dos instrumentos científicos que mostram aos pesquisadores o que o olho humano não é capaz de enxergar. “Nos dias de hoje, quando se ultrapassa a escala microscópica e se chega à nanoscópica, uma das melhores formas de visualizar materiais é por meio da luz, da luz síncrotron”, explica Zeri.

A única fonte de luz síncrotron da América Latina fica localizada em Campinas, no Campus do CNPEM. Zeri apresentou exemplos de moléculas biológicas que tiveram suas estruturas atômicas e moleculares desvendadas por pesquisadores do Centro graças ao uso da luz síncrotron, em conjunto com outras técnicas tais como Ressonância Magnética Nuclear e Microscopia Eletrônica. Estas pesquisas são a base do desenho racional de fármacos, no qual a estrutura de uma molécula alvo é desvendada para que se possa desenvolver medicamentos que ajam exclusivamente sobre essa molécula, com baixos índices de efeitos colaterais.

Zeri também mostrou ao público da SBPC o Projeto LNBio.Educa, trabalho de popularização e alfabetização científica realizado com crianças e jovens, de 6 a 18 anos, em comunidades carentes de Campinas. Com o apoio do LNBio, da Associação Anhumas Quero-Quero (AAQQ) e o impulso inicial da Science House Foundation – organização internacional que estimula o interesse por ciência entre crianças e adolescentes – as crianças do projeto coordenado por Ana Zeri criam caleidoscópios, extraem moléculas de plantas e enxergam em microscópios digitais portáteis células, microrganismos, plantas e insetos capturados no entorno da sede da AAQQ, no Parque Ecológico em Campinas.

“O objetivo deste projeto não é impor conhecimento científico às crianças, mas mostrar a elas que a ciência pode ser divertida, que aprender pode ser uma aventura, e, quem sabe assim, despertar interesse para que se tornem algo além jogadores de futebol, modelos ou policiais, sem desmerecer tais escolhas”, conta Zeri. A ação, que existe desde 2012, em Campinas, foi aplicada também em crianças de comunidades ribeirinhas do Acre. Zeri acredita que ela pode ser expandida para outras regiões do Brasil. Mais detalhes do projeto estão disponíveis em: http://lnbio.cnpem.br/training/education/.

 

O LNBio

O Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), uma organização social qualificada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O LNBio dedica-se à pesquisa e inovação nas áreas de biotecnologia e à descoberta e desenvolvimento de fármacos e possui instalações abertas às comunidades científicas e empresariais. O Laboratório concentra competências, equipamentos de última geração e um time de pesquisadores de classe mundial voltados à realização de estudos multidisciplinares nas áreas de biologia estrutural, proteômica, genômica, metabolômica, bioensaios, desenvolvimento de organismos geneticamente modificados, dentre outros.

Repercussão: Nit Mantiqueira; JC Notícias

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone