Nanotubos são eficientes na osseointegração de implantes

Publicado em 06/12/2012

Agência USP de Notícias, em 05/12/2012

Na Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, cientistas estão desenvolvendo nanotubos de óxido de titânio (titânia – TiO2) que poderão ser utilizados para melhorar a osseointegração de implantes produzidos com o metal.

Nos experimentos, os pesquisadores conseguiram obter uma fina película, medindo entre 500 nanômetros e 3 micrômetros de espessura e que concentra nanotubos, que podem ser vistos somente em microscópio eletrônico de varredura de alta resolução. As películas de titânia (nanotubos de óxido de titânio) foram obtidas por anodização, como conta o professor Alain Robin, do Departamento de Engenharia de Materiais da EEL. “Quando a película é depositada sobre o titânio, os nanotubos irão abrigar as células ósseas que poderão crescer no seu interior”, descreve.

O docente, que estuda diversas ligas metálicas além do titânio, supervisionou um estudo em que foram obtidos os nanotubos. O trabalho da estudante de Engenharia de Materiais Michele B. A. Ribeiro, Obtenção e caracterização de nanotubos de TiO2 sobre titânio, foi realizado no Laboratório de Corrosão e Eletrodeposição da EEL, e recebeu menção honrosa no 20º Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (SIICUSP) ocorrido entre os dias 22 e 26 de outubro de 2012.

O processo de anodização realizado nas condições definidas neste trabalho foi aplicado com sucesso em implantes dentários comerciais de fabricação nacional.

Anodização
A anodização é um processo eletroquímico baseado na eletrólise. Numa célula eletroquímica é colocada uma solução inorgânica ou orgânica contendo íons fluoretos, que podem ser de sódio, de amônia, ou ácido fluorídico. “As soluções para se obter os nanotubos precisam conter fluoretos”, explica o pesquisador.

Dentro do líquido, é colocado o corpo de prova de titânio juntamente com um eletrôdo de platina. A partir daí está montado um circuito elétrico com uma fonte de corrente contínua, sendo o titânio o polo positivo e a platina o negativo. “Em seguida aplicamos uma Diferença de Potencial Elétrico (DDP) para a formação da titânia [óxido de titânio] na forma de uma película”, conta Robin.

As características geométricas dos nanotubos, como altura e diâmetro interno, dependerão de como foi feito o processo de anodização, como DDP, quantidade de fluoretos, tempo de anodização e temperatura da solução. Robin afirma que ainda não existem no Brasil aplicações industriais de crescimento de nanotubos de titânia sobre implantes e que os estudos ainda carecem de testes biológicos para se verificar o crescimento das células dentro dos nanotubos de titânia.

O professor lembra que, além da utilização dos laboratórios da EEL, todo o processo de caracterização dos nanotubos foi realizado no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do governo federal, em Campinas, São Paulo.

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