Nanotecnologia contra bactérias e HIV

Publicado em 15/08/2011
Assessoria de Comunicação, em 15/08/2011

Capa da revista onde o artigo foi publicado (ACO)

Nanopartículas de prata têm efeito bactericida e, portanto, possível aplicação biomédica. Testes bacteriológicos já revelaram que esse efeito depende do tamanho das nanopartículas e do tipo do microorganismo. O desafio está em realizar um fracionamento seletivo de forma a identificar nanopartículas mais eficazes para cada tipo de microorganismo.

Utilizando técnica de fracionamento seletivo, um grupo de pesquisadores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, conseguiu selecionar nanopartículas de prata de tamanhos distintos em uma mesma reação química. Em seguida, avaliaram os seus efeitos em cepas de quatro bactérias diferentes: Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermis e Micrococcus lysodeikticus. Constataram que as nanopartículas menores inibiram o crescimento dessas bactérias de maneira mais eficaz do que as maiores. Os resultados do trabalho Size-selective silver nanoparticles:future of biomedical devices with enhanced bactericidal properties é o artigo de capa da edição nº 33 do Journal of Materials Chemistry.

Há ainda alguns desafios científicos a serem solucionados antes de converter nanopartículas de prata em medicamentos. Um deles é o da toxidade pois é necessário verificar como essas nanopartículas interagem com células sadias, explica Mateus Cardoso, pesquisador do LNLS e um dos autores do artigo. “Essa é uma tarefa a ser realizada em colaboração com a indústria farmacêutica.”

Os bons resultados permitiram que os pesquisadores elegessem um novo alvo de pesquisa: o vírus do HIV. Sabe-se que nanopartículas de prata com tamanho entre 5 e 15 nm (nanômetros) têm poder de bloquear a replicação do vírus HIV. O fracionamento seletivo das nanopartículas de prata pode ser uma ferramenta eficiente, já que permitirá testar o efeito dos diversos tamanhos das nanopartículas de prata e selecionar aquele considerado “ótimo”, como ele diz, para o tratamento do vírus da AIDS. Além disso, os pesquisadores também pretendem “funcionalizar” essas nanopartículas e direcioná-las para atingir um alvo específico, a proteína gp 120, ele explica.

A pesquisa realizada no LNLS apontou, ainda, um ganho adicional no uso de nanopartículas de prata que, se associadas a antibióticos comerciais, têm potencial para formar um “superantibiótico” com grande propriedade bactericida. “Poderão, ainda, compor uma estrutura capaz de recobrir materiais cirúrgicos, evitando a contaminação.”

As nanopartículas de prata foram sintetizadas no Laboratório de Química (LQU) do LNLS. A caracterização foi realizada por meio de técnicas de espalhamento de raios X a baixos ângulos (SAXS) do Laboratório de Luz Síncrotron e de microscopia eletrônica de transmissão (TEM) do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano). Os testes com bactérias foram realizados com o apoio do grupo de Jörg Kobarg, do Laboratório de Microarranjo de DNA do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). Os três laboratórios estão instalados no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

Referência

Artigo: Size-selective silver nanoparticles: future of biomedical devices with enhanced bactericidal properties

Autores: Virginia Dal Lago, Luciane França de Oliveira, Kaliandra de Almeida Gonçalves, Jorg Kobarg e Mateus Borba Cardoso

Publicação: Journal of Materials Chemistry, 2011, 21, 12267.

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