Microcefalia: malformação está relacionada com 2ª e 5ª semanas de gestação

Retiro Notícias em 24/02/2017

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Pesquisadores brasileiros conseguiram pela primeira vez reproduzir em laboratório o modelo mais realista das malformações congênitas causadas pelo vírus da zika, como a microcefalia. Eles também descobriram que ela está relacionada com a segunda e a quinta semana de gestação nos seres humanos. Antes, acreditava-se que o maior risco estava em outra fase da gravidez.

“Nós pensávamos que a exposição crítica seria um pouco mais tardia, por volta do início do segundo trimestre. Mas, os nossos estudos mostram que não. Na realidade, ela é muito precoce”, explica José Xavier Neto, pesquisador do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).

No entanto, o pesquisador Murilo Carvalho afirma que isso não significa que exista um período seguro de exposição. “Isso não quer dizer que nós estamos dizendo que existe uma janela segura de que as grávidas poderiam ser expor ao zika”, complementa.

Ainda segundo os pesquisadores do LNBio, o estudo rastreou o caminho que o vírus da zika percorre no organismo dos seres humanos, com a ajuda do trabalho feito em camundongos saudáveis. Eles receberam a mesma quantidade de vírus que o Aedes aegypti pode transmitir ao picar o homem. Isso não havia sido feito ainda pelos cientistas.

Os pesquisadores destacam neste mapeamento a hidrocefalia, que consiste no acúmulo de líquido no cérebro e pode até matar as células do sistema nervoso, além de reduzir o tamanho do cérebro. A hidrocefalia, segundo pesquisas anteriores, precede a microcefalia.

“Nós avançamos nisso. Nós mostramos que antes da hidrocefalia há um processo de falha na fusão do tubo neural [estrutura embrionária que dará origem ao cérebro e à medula espinhal]. É um processo que provoca um defeito nas paredes do tubo”, explica Xavier Neto.

Todo este processo de falha no tubo neural pode levar, de acordo com o cientista, a hidrocefalia e depois a microcefalia, que são as malformações tardias. O fechamento correto do tubo permite o desenvolvimento ideal do sistema nervoso central (cérebro e medula).

O pesquisador Murilo Carvalho destaca, que ao pesquisar o caminho do vírus da zika no organismo, foi detectado que ele é rapidamente eliminado da corrente sanguínea.

“Mas de algum modo ele chega aos órgãos da fêmea (camundongo), e até na placenta. E acaba rompendo a placenta e chegando ao embrião, o que causa a malformação, em especial a falha no fechamento do tubo neural”, conclui Carvalho.

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