Publicado em 07/01/2019

Kassab diz que afastamento de cargo no governo Doria será ‘mais breve possível’

G1, 29/12/2018

‘Achei que, eticamente, seria mais adequado’, disse ele, que foi acusado de receber propina da JBS. Ministro da Ciência e Tecnologia esteve em evento do Projeto Sirius, em Campinas.

O Ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), disse que o afastamento do cargo como secretário da Casa Civil no governo João Doria (PSDB) será “o mais breve possível”. Kassab é investigado pela Polícia Federal e foi acusado de receber propina da JBS. O ministro falou com a imprensa neste sábado (29) durante um evento do Projeto Sirius, em Campinas (SP).

“Pedi a ele [Doria] licença para que pudesse, durante um período, afastado com perda de vencimentos, me dedicar à coleta de informações [inaudível] da defesa minha no campo jurídico em relação a alguns inquéritos que tenho e, por isso, achei que, eticamente, seria mais adequado esse comportamento”, afirma.

anúncio do pedido de afastamento para buscar suas defesasocorreu na última quinta-feira (27). Ele será empossado no dia 1º de janeiro e afastado em seguida, e não receberá salário.

“No período de vacância, quem o governador indicar [é] que ficará como interino”, diz.

Na função de secretário da Casa Civil, Kassab seria o responsável pela articulação política entre os deputados da Assembleia Legislativa e o Executivo. O pedido foi “prontamente atendido” pelo governador eleito João Doria (PSDB).

Ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, participou de evento de lançamento do selo comemorativo dos Correios pela primeira etapa do Sirius, em Campinas. — Foto: Toni Mendes/EPTV

Ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, participou de evento de lançamento do selo comemorativo dos Correios pela primeira etapa do Sirius, em Campinas. — Foto: Toni Mendes/EPTV

Investigado pela Polícia Federal

Kassab passou a ser investigado pela Polícia Federal depois de uma delação da J&F acusá-lo de receber propina da empresa entre os anos de 2010 e 2016.

Executivos do frigorífico JBS teriam repassado R$ 58 milhões ao ministro e ao PSD, partido fundado por Kassab, segundo as investigações.

As suspeitas embasaram mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no dia 19 de dezembro na casa de Kassab no Itaim Bibi, na Zona Sul da capital paulista. Foram apreendidos R$ 300 mil em espécie no apartamento dele.