José Xavier Neto é o mais novo integrante do LNBio

Publicado em 26/07/2010
Assessoria de Comunicação, em 26/07/2010

José Xavier Neto integra, desde o dia 6 de abril, a equipe de pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). Trata-se de um reforço de peso: Xavier Neto era da equipe do Instituto do Coração e coordenava a Unidade de Transgênicos do Hospital das Clínicas de São Paulo. Desenvolve pesquisa na área de Biologia do Desenvolvimento Cardíaco, atuando principalmente nos seguintes temas: morfogenia das câmaras cardíacas, morfogenia da circulação coronária, evolução e desenvolvimento das câmaras cardíacas, doença cardíaca congênita e sinalização pelo ácido retinóico.

Formado em medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC), Xavier concluiu o doutorado em Ciências, na área de Fisiologia Humana, pela Universidade de São Paulo (USP), onde também fez pós-doutorado em Biologia Molecular, na especialidade de Controle de Expressão Gênica. Em 1999, ganhou uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para pós-doutorado na Universidade de Harvard na área de Morfologia e especializou-se em Embriologia Cardíaca.

Xavier parece desconversar quando é mencionado como referência na área de Biologia do Desenvolvimento, mas não esconde sua obstinação em “fazer ciência”. Pesquisar é sua vocação. Filho do pesquisador José Xavier Filho, desde jovem teve contato com a dinâmica de laboratórios científicos: desde o primeiro ano da faculdade de medicina trabalhava em projetos de pesquisa, carreira que foi consolidando à medida em que as oportunidades surgiram. Nesta entrevista Xavier conta sua trajetória e fala sobre as perspectivas no LNBio.

– O que mais o atraiu quando aceitou a proposta do LNBio?
Eu já conhecia o trabalho da Instituição quando ainda era CeBiME e, tanto a qualidade dos projetos desenvolvidos aqui, quanto as perspectivas de efetivamente poder realizar pesquisa de ponta com profissionais superqualificados e contribuir com o serviço nacional de transgênicos me atraíram. Acredito que a combinação de expertise e agilidade para realizar os experimentos também foram fatores determinantes na minha decisão.

– Como o senhor avalia a evolução da pesquisa genômica no Brasil?
O Brasil trilha um caminho peculiar com os estudos em células-tronco, mas não lidera essa área. Estamos tentando estimular o aparecimento de grupos de pesquisa com capacidade efetiva de contribuição. Por outro lado há grupos muito bons, que trabalham em outras disciplinas, e que possuem vantagem competitiva por sua criatividade e conhecimento de suas áreas. O certo é que o potencial existe, mas é preciso desenvolver um trabalho com foco em dois aspectos: na produção de animais transgênicos – que também tem aplicação para o melhoramento genético – e de animais nocaute – de cujos genomas alguns genes são inativados. Esses dois modelos empregam técnicas diferentes: o primeiro adiciona genes ao genoma do animal, criando novas funções; o segundo os altera com o objetivo de inibir suas funções.

– Qual a importância de se produzir no Brasil animais geneticamente modificados?
As tecnologias para a geração de animais geneticamente manipulados foram estabelecidas em bases firmes nas décadas de 80 e 90 do século XX. Nos centros mais desenvolvidos no eixo Estados Unidos – Europa já é possível encarar estes procedimentos como recursos rotineiros de pesquisa, o que tem permitido a estes centros agregar um alto grau de valor às suas iniciativas de pesquisa e desenvolvimento. O significado destas tecnologias é amplamente reconhecido no âmbito acadêmico e tecnológico. É fato que a comunidade científica brasileira tem, para todos os efeitos, passado ao largo deste progresso. Apesar de inúmeras tentativas e sucessos pontuais, ainda não contamos com estruturas capazes de garantir a produção regular de animais geneticamente manipulados. Esta deficiência tem limitado a qualidade de nossa contribuição científica e tecnológica, além de restringir o horizonte de formação das futuras gerações de pesquisadores brasileiros.

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