Impulso para a cooperação internacional

Publicado em 27/04/2010
Conselho do MCT se reúne em Campinas para avaliar potencial de colaboração internacional de CTBE, LNLS e LNBio

Assessoria de Comunicação, em 27/04/2010

Atualmente, o Brasil é responsável por mais de 2% das publicações científicas do mundo. O número parece inexpressivo, mas comparado aos 0,5% de 1985, nosso crescimento em 20 anos foi oito vezes superior à média internacional. Depósitos de patentes internacionais também cresceram 75% entre 2005 e 2009, ao mesmo tempo em que o país começa a mostrar liderança científica em áreas como a bioenergia.

Atento a este cenário, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) realizou nesta segunda-feira (26), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM/ABTLuS) em Campinas-SP, a XIII Reunião do seu Conselho Científico Consultivo sobre Cooperação Internacional, coordenado pelo jornalista José Monserrat Filho. O objetivo do evento que contou com representantes de ministérios, Forças Armadas e renomadas instituições de pesquisa foi conhecer o trabalho do Laboratórios Nacionais do CNPEM, em vista de avaliar potencialidades de cooperações internacionais nas áreas de física de materiais, bioenergia e biociências.

A apresentação do Laboratório Nacional de Ciências e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) abordou a forma como o CTBE tem se organizado para atuar nos principais gargalos tecnológicos do ciclo cana-de-açúcar/bioetanol. O diretor do CTBE, Marco Aurélio Pinheiro Lima, também comentou sobre os acordos de cooperação internacionais firmados com o National Renewable Energy Laboratory (NREL / EUA), Imperial College London (Reino Unido) e Lund University (Suécia).

Ao final do debate, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (SEPED) do MCT, Luiz Antonio Barreto de Castro destacou que o diferencial do CTBE no cenário de ciência e tecnologia (C&T) em biocombustíveis é o escalonamento de experimentos para etanol celulósico.

Graças à Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP) que está sendo contruída no CTBE, pesquisadores de qualquer parte do mundo poderão testar processos em escala próxima à realidade industrial. Isso facilitará a transferência de tecnologias da bancada para as destilarias de álcool. “Construir uma Planta Piloto dentro de cada instituição que pesquisa etanol é uma coisa financeiramente inviável”, reforça Castro.

Além do CTBE, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), ambos pertencentes ao CNPEM/ABTLuS, apresentaram seus trabalhos ao Conselho do MCT.

Cenário favorável a parcerias com centros de pesquisa e indústrias

Durante apresentação desta segunda, Lima enfatizou as ações do CTBE que objetivam o estabelecimento de um cenário interno favorável à colaboração com instituições de pesquisas e setor produtivo ligados à área de biocombustíveis.

Os desafios relacionados à aproximação entre institutos de pesquisa públicos e empresas privadas são inúmeros. “O empresário só aceita investir em pesquisa e desenvolvimento junto a uma instituição ligada ao setor público se enxergar uma possibilidade futura de retorno sobre o valor investido. Para isso ocorrer é preciso definir regras para assuntos como partilha da propriedade intelectual e sigilo sobre o desenvolvimento da pesquisa desde o início do trabalho conjunto”, explica a gestora de negócios do CTBE, Rosana Ceron Di Giorgio.

Por conta disto, Di Giorgio tem trabalhado nos últimos meses na elaboração, em conjunto com o setor produtivo, dos procedimentos que vão reger o relacionamento do CTBE com a indústria. Uma versão preliminar do documento que define regras para tópicos como pesquisa e desenvolvimento conjuntos, disponibilização de infraestrutura, transferência de materiais, licenças de uso ou exploração, intercâmbio de recursos humanos e criação de novas empresas está em processo de avaliação por companhias ligadas ao ciclo produtivo do etanol de cana.

Esta avaliação irá até o próximo dia 1 de junho, quando instituições do setor participarão de um café da manhã no CTBE para apresentar criticas e sugestões ao documento. A participação como ouvinte neste evento será aberta à empresários interessados (vagas limitadas). Inscrições poderão ser feitas no site do CTBE a partir de 6 de maio.

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