Etanol celulósico mais próximo da indústria

Publicado em 04/11/2009
CTBE inicia construção de Planta Piloto que realizará estudos com etanol de segunda geração em escala próxima à industrial.

Assessoria de Comunicação, em 04/11/2009


No início de novembro foram iniciadas as obras da Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP) do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). Este complexo de desenvolvimento tecnológico localizado em Campinas-SP permitirá que cientistas e setor produtivo de todo o globo desenvolvam pesquisas sobre etanol celulósico em escala mais próxima à realidade do setor industrial.

Segundo o engenheiro do CTBE Carlos Eduardo Vaz Rossell, a PPDP representa uma contribuição importante e inédita para o Brasil na corrida mundial por uma tecnologia que produza etanol a partir da celulose de plantas. É que um dos principais gargalos das pesquisas nesta área reside na dificuldade de se reproduzir o sucesso de um experimento laboratorial em uma escala mais representativa. “Testes de bancada geralmente não fornecem todas as informações necessárias para que seja possível garantir o mesmo resultado positivo do processo quando este é realizado em equipamentos industriais, com capacidade para até 500 mil litros de material reagente. Por isso a importância de se testar uma nova tecnologia em escala semi-industrial”, explica Rossell.

Por esta razão, o mais novo centro de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) vai investir cerca de R$ 5,5 milhões (apenas nas obras de engenharia civil, o investimento em equipamentos não está incluso neste número) na construção da PPDP. Os 2.500m² desta instalação permitirão o estudo de diferentes rotas tecnológicas para a produção de etanol de segunda geração.

O objetivo do CTBE, de acordo com Rossell, é utilizar a PPDP para dominar a tecnologia de conversão do bagaço e palha da cana em etanol. Em paralelo, busca-se desenvolver um processo industrial capaz de competir economicamente com a técnica atual que fermenta açúcares do caldo da cana em biocombustível. Estimativas do CTBE mostram que a introdução da tecnologia de etanol de segunda geração representa um aumento de 40% na produtividade anual de etanol brasileiro sem ampliar a área de cultivo de cana.

Estudo de múltiplas tecnologias

Outro diferencial da PPDP, além do escalonamento de experimentos, é que ela vai possibilitar a análise e desenvolvimento de diferentes alternativas para os principais desafios tecnológicos ligados ao álcool de celulose. “Plantas pilotos ao redor do mundo costumam ser construídas para demonstrar a eficiência de uma rota tecnológica específica. A PPDP, entretanto, visará desenvolver processos tecnológicos ao invés de demonstrá-los. Ela será uma planta piloto versátil”, afirma Rossell.

Esta versatilidade se deve ao fato dos seis módulos de processos da PPDP não serem integrados uns aos outros. Cada módulo está voltado a um gargalo diferente da tecnologia de etanol de segunda geração. Enquanto os pesquisadores da PPDP 1 buscam um pré-tratamento que permita o fácil acesso de microorganismos aos açúcares contidos no bagaço da cana, o grupo da PPDP 4 trabalha no desenvolvimento de enzimas eficientes que vão possibilitar que estes açúcares sejam (posteriormente) fermentados em etanol. Uma vez identificados os melhores processos em cada gargalo da tecnologia é que se partirá para a elaboração do processo de produção como um todo.

Por ser o CTBE um Laboratório Nacional, as instalações da Planta Piloto do Centro serão abertas à comunidade externa de pesquisa que poderá testar, provar e validar seus processos tecnológicos potenciais. No caso de algum experimento não sair conforme o previsto, o complexo tecnológico do CTBE vai proporcionar a realização do diagnóstico do experimento realizado. Isto permitirá ao pesquisador identificar possíveis falhas no seu estudo, contribuindo para que ele melhore sua pesquisa.

Ao mesmo tempo, o setor industrial poderá utilizar a PPDP para diminuir a escala de algum processo industrial trabalhado, na tentativa de encontrar e solucionar possíveis problemas ou otimizar a tecnologia analisada. Espera-se que até o final do primeiro semestre de 2010 o CTBE inicie suas primeiras pesquisas em escala semi-industrial.

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