Cylon Gonçalves da Silva é o novo presidente da Ceitec S.A.

Publicado em 05/08/2010
Jornal da Ciência, em 05/08/2010

Professor emérito da Unicamp assume a empresa com o desafio de desenvolver a indústria eletrônica brasileira

Cylon Gonçalves da Silva, professor emérito do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador adjunto de Programas Especiais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), assumiu nesta quarta-feira (4/8), em Porto Alegre, a presidência da Ceitec S.A., fabricante de semicondutores ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).

Surgida em 2000 como Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, somente no fim de 2008 a Ceitec foi transformada por Decreto Presidencial em empresa. Foi inaugurada efetivamente em março de 2009.
O principal objetivo da empresa é desenvolver a indústria eletrônica brasileira por meio da implantação de uma base sólida no setor de semicondutores.

“O Brasil já fez várias tentativas de implantar uma indústria de microeletrônica, mas por razões econômicas e de mercado, nenhuma delas teve muito êxito. Agora, há uma janela de oportunidades. O país vive uma demanda por desenvolvimento de tecnologias em várias áreas, como em telecomunicações”, disse Gonçalves da Silva à Agência Fapesp.

A Cietec opera na elaboração de projetos de circuitos integrados e tem como segundo propósito produzi-los. A fábrica, que ainda está em fase final de implantação e certificação, será a única na América Latina capaz de produzir processadores (chips).

No Design Center, um dos componentes da empresa, são elaborados projetos, criadas patentes e conhecimento de processadores. O outro espaço da empresa é a fábrica, onde efetivamente serão criados os produtos. “Mas a Ceitec não vai lidar com o consumidor final. Será uma provedora de tecnologia para empresas que estarão no mercado”, explicou.

A empresa já tem um produto em desenvolvimento, projetado pelo grupo que deu origem à empresa, denominado Chip do Boi, dispositivo que permite rastrear e acumular dados sobre o gado. “O chip foi pensado e produzido no Brasil, mas fabricado fora do país. Está em fase de testes em fazendas em Minas Gerais e Mato Grosso e é muito importante do ponto de vista do mercado interno e exportador”, destacou Gonçalves da Silva.

O objetivo a curto prazo é colocar a fábrica para funcionar e levar o Chip do Boi para o mercado. “É um produto inteiramente novo, uma espécie de carteira de identidade com atestado de vacina do animal. Nele, ficam registradas a história e toda a evolução do animal”, disse.

Segundo o novo presidente da Ceitec, a empresa terá um papel decisivo no desenvolvimento das
telecomunicações no país, em particular nos componentes para TV digital e para a expansão da banda larga. A empresa é uma das envolvidas no desenvolvimento de tecnologia para o plano nacional de banda larga, cujo objetivo é ampliar o acesso em alta velocidade à internet no país.

“A ideia é desenvolver a WiMax no Brasil, que é uma tecnologia de transmissão de sinal sem fio com um alcance maior, que pode chegar a 1 ou 2 quilômetros”, disse.

Outro ponto diz respeito à recente implantação da TV digital no país e à escolha de um padrão distinto do resto do mundo. “Temos condições de projetar e fabricar o componente chave, que é o demodulador do sinal digital, para que empresas coloquem o componente nos televisores que serão fabricados no país”, disse Gonçalves da Silva.

“Mas o desafio não é só da Ceitec. É da sociedade e do Estado brasileiro, de criar um ambiente que estimule o surgimento dessas empresas e a manutenção delas no mercado”, afirmou.
Trajetória
Cylon Gonçalves da Silva graduou-se em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1967. É PhD em física pela Universidade da Califórnia em Berkeley (1972) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) desde 1992.
No período 1978/1980 foi maître-assistant e professor visitante na Universidade de Lausanne e pesquisador visitante na École Normale Supérieure (Paris). Dirigiu a implantação do Laboratório Nacional de Luz Sincroton, que entrou em plena operação em 1997.
Grande parte da sua produção científica é dedicada a pesquisas sobre propriedades magnéticas e eletrônicas de materiais e a estudos sobre super-redes semicondutoras semimagnéticas. Tem cerca de 70 artigos publicados e cinco livros editados.
Foi diretor de desenvolvimento da Editora Oficina de Textos e iniciou uma série de conferências da Escola Brasileira de Física de Semicondutores. Também foi membro do Comitê de Programa da Conferência Internacional de Física dos Semicondutores.
(Alex Sander Alcântara, da Agência Fapesp, 5/8)
Meta é colocar unidade no mapa mundial de fabricantes de chips
O novo presidente da fabricante de chips Ceitec SA, Cylon Gonçalves da Silva, foi empossado na tarde desta quarta-feira pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende.
Em seu discurso, Cylon anunciou que o plano é qualificar a equipe da empresa federal instalada na Capital. Segundo ele, a direção de uma empresa como a Ceitec precisa investir no desenvolvimento dos funcionários para que eles possam contribuir com o projeto de produção de chips digitais e analógicos.
– Isso aqui é pra ser uma fábrica de gente preparada e qualificada para o futuro.
Físico natural de Ijuí (RS), Cylon afirmou ainda que sua meta é colocar em dez a 15 anos a fábrica no mapa mundial dos fabricantes de chips.

Link da matéria:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72621

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