CTBE e Embrapa unem forças por agricultura sustentável

Publicado em 25/01/2010
Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) também é parceiro desta cooperação.

Assessoria de Comunicação, em 25/01/2010

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) acaba de ganhar um importante parceiro nas pesquisas ligadas ao ciclo agrícola da cana-de-açúcar. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) assinará nesta sexta-feira, dia 22/01, um acordo de colaboração para o estudo de estratégias agrícolas capazes de elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura de cana. A assinatura se dará na inauguração do CTBE, que contará com a presença do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. A parceria envolverá também o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), com atuação principal no desenvolvimento de Bioinformática tanto da Embrapa quanto do LNBio.

Há mais de três décadas a Embrapa trabalha com um manejo agrícola na cultura de cereais que dispensa o preparo do solo durante o plantio. Chamado de plantio direto, este sistema reduz custos, conserva os nutrientes do solo e utiliza a água de forma mais racional.

Tais características fizeram com que o Programa Agrícola do CTBE estudasse formas de implementar o plantio direto na cultura de cana. A tarefa, entretanto, possui alguns desafios tecnológicos significativos como o desenvolvimento de um maquinário agrícola que reduza o tráfego de máquinas sobre a área plantada.

Na tentativa de solucionar este gargalo, o CTBE vem desenvolvendo o projeto de uma Estrutura de Tráfego Controlado (ETC) que atuará em todo o ciclo agrícola da cana, do plantio à colheita. Segundo o diretor do Programa Agrícola do CTBE Oscar Braunbeck, a ETC deve reduzir a área de terreno trafegada de 60% para 13% e o custo da colheita mecanizada de cana em até 30%. A largura maior do equipamento (9m) também permitirá a mecanização da colheita em terrenos com até 20% de inclinação. Hoje, este número se restringe a 12%.

O Programa Agrícola do CTBE possui uma vertente voltada aos estudos de mecanização de baixo impacto e outra ligada ao ciclo agronômico da cana. Esta última será liderada pela Embrapa. Pesquisadores acompanharão o desempenho agronômico da cana sob o regime de plantio direto com baixo tráfego, em comparação ao plantio convencional. Assuntos como as variedades de cana que melhor se adaptam ao plantio direto, o comportamento de doenças e pragas e a reação da planta aos herbicidas em situações de solo úmido também farão parte da investigação da instituição.

“Estudaremos os impactos do plantio direto em cana nos mais diversos tipos de ambientes, solo, volume de chuva e gestão de campo. Os primeiros ensaios devem ocorrer em cooperação com usinas de cana do Estado de São Paulo. Na sequência, realizaremos testes semelhantes em outras regiões produtoras de cana como o Cerrado e os Tabuleiros Costeiros do Nordeste”, explica o diretor executivo da Embrapa José Geraldo Eugênio.

A Embrapa participará ainda da construção da Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar (BVC). Esta ferramenta de simulação computacional está sendo elaborada pelo CTBE para comparar a sustentabilidade econômica, social e ambiental de diferentes rotas tecnológicas no âmbito de uma biorrefinaria, identificando seu estágio de desenvolvimento e permitindo sua otimização. O desenvolvimento da BVC conta com a participação de uma Rede de Instituições (coordenada pelo CTBE). A sub-rede agrícola desta Rede será coordenada pela Embrapa.

No futuro, Eugênio acredita que colaborações com o CTBE serão criadas na área de produção de enzimas para a hidrólise do bagaço de cana, bioquímica e fisiologia de plantas, além da fixação de nitrogênio e captação de CO2 feita pela planta.

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