Cooperação mais forte

Publicado em 19/11/2013

Revista Pesquisa FAPESP, em Novembro/2013

Sem título, 2001 Acrílico sobre tela 180 x 150 cm coleção particular

Sem título, 2001 Acrílico sobre tela 180 x 150 cm coleção particular

O esforço para tornar a pesquisa no estado de São Paulo cada vez mais internacionalizada se destaca no Relatório de atividades 2012 da FAPESP, balançocom os principais indicadores e iniciativas da Fundação no ano passado, lançado em outubro. No ano em que comemorou seu cinquentenário, a Fundação realizou dois simpósios internacionais, um na América do Norte, outro na Espanha, em que pesquisadores de instituições paulistas apoiados por ela puderam mostrar seus trabalhos e estreitar relações com colegas do exterior.

Vinte e dois novos acordos de cooperação científica com instituições do exterior foram assinados em 2012, seis deles com agências de fomento e 16 com instituições de pesquisa ou ensino superior. Somados aos 43 celebrados em anos anteriores, a Fundação encerrou 2012 com 65 acordos de cooperação envolvendo organizações de 14 países. “O que explica o desejo da FAPESP de interagir com outras nações é que o empenho para aumentar o intercâmbio gera e amplia conhecimento em todas as áreas em que ele ocorre”, diz o presidente da FAPESP, Celso Lafer. “No mundo contemporâneo, a ciência é uma atividade que depende mais e mais do esforço de cooperação transfronteiras, inclusive porque muitos dos fenômenos mais importantes com que ela se depara ocorrem internacionalmente”, afirma.

A FAPESP, mostra o relatório, destinou R$ 1,03 bilhão para a pesquisa científica e tecnológica no estado de São Paulo em 2012, um volume de recursos recorde, superior em 10,2% ao liberado em 2011. Entre 2007 e 2012, a receita da FAPESP cresceu 72,49% e seu desembolso avançou 88,36%. Para realizar seu trabalho, a FAPESP contou com o apoio de 8.976 assessores que emitiram 22.941 pareceres. “O relatório mostra de forma consolidada, detalhada e transparente as realizações da FAPESP em 2012, garantindo a visibilidade pública que a fundação quer, e precisa, dar a suas atividades”, diz o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz.

036-039_RelatorioFAPESP_213Desde 2005, os relatórios de atividades são ilustrados com reproduções de obras de grandes artistas do estado de São Paulo. “Este ano temos o prazer de homenagear Tomie Ohtake, grande figura que inovou de maneira extraordinária as artes plásticas do Brasil e que tem o mérito de, em sua ilustrada maturidade de 100 anos, continuar se dedicando à sua obra”, ressaltou Celso Lafer. Nascida em Kyoto e radicada em São Paulo desde os 23 anos, Tomie Ohtake criou uma obra, constituída por pinturas, gravuras e esculturas, que é reconhecida internacionalmente como uma das mais representativas do abstracionismo contemporâneo.

Constituição
A FAPESP recebe e investe em pesquisa recursos assegurados pela Constituição paulista equivalentes a 1% da receita tributária do estado. Em 2012, a receita da Fundação alcançou R$ 1,09 bilhão, 5,6% superior à de 2011. Esse volume é composto pelos recursos do Tesouro estadual (81,93%) e outras fontes de receita (18,07%), como recursos próprios e de convênios com outras agências de fomento, empresas e instituições brasileiras e estrangeiras, interessadas em apoiar pesquisa em colaboração e em temas de interesse comum.

Tomie Ohtake, 2000

Tomie Ohtake, 2000

Na linha de programas regulares, aqueles que atendem a demanda espontânea dos pesquisadores, foram contratados 7.601 bolsas e 4.292 auxílios à pesquisa em 2012. Em comparação com 2011, a FAPESP destinou 20% mais recursos para bolsas. Para auxílios regulares, os recursos foram ampliados em 31%. Já no âmbito dos Programas Especiais, talhados para induzir a pesquisa e superar carências em áreas consideradas estratégicas, foram contratados 1.227 novos projetos. Entre os Programas de Pesquisa para Inovação Tecnológica, que apoiam pesquisas capazes de desenvolver novas tecnologias ou de gerar políticas públicas, 191 novos projetos foram contratados em 2012.

Universidades e instituições de pesquisa que concentram mais grupos de pesquisas recebem, naturalmente, um volume maior de recursos. Não surpreende, portanto, que 47,78% do desembolso da FAPESP em 2012 tenha se destinado a projetos coordenados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Outros 13,86% foram aplicados em projetos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), 13,18% na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e 13,13% em projetos de pesquisadores de instituições federais no estado de São Paulo. A área da saúde tradicionalmente recebe a maior quantidade de recursos, porque concentra um grande volume de pesquisadores no estado. Em 2012, as pesquisas na área receberam R$ 308,36 milhões, 20,95% a mais do que em 2011 – e o equivalente a 29,79% do total desembolsado pela FAPESP. Outras áreas que se destacam são a biologia, com 17,11% do total; engenharia, com 10,59%; ciências humanas e sociais (10,4%); e agronomia e veterinária (9,41%). A ciência e a engenharia da computação, embora não estejam entre as áreas mais aquinhoadas, receberam em 2012 recursos 58% superiores aos de 2011.

A FAPESP mudou a classificação de seus objetivos de fomento para tornar mais claro o alcance científico, social e econômico dos projetos que apoia. A classificação se divide agora em Apoio à Pesquisa com Vistas a Aplicações (53% do total), Apoio ao avanço do conhecimento (37% do total) e Apoio à Infraestrutura de Pesquisa (10% do total). A Fundação agrupou como Apoio ao Avanço do Conhecimento programas que qualificam a formação de recursos humanos e estimulam a pesquisa acadêmica (ver quadro). O Apoio à Pesquisa com Vistas a Aplicações compreende os programas com claros objetivos de aplicação e interesse econômico e social. O Apoio à Infraestrutura de Pesquisa busca assegurar a infraestrutura necessária para a continuidade das pesquisas do estado de São Paulo. Até 2011, a classificação englobava Apoio à Formação de Recursos Humanos (bolsas), Apoio à Pesquisa Acadêmica e Apoio à Pesquisa Voltada a Aplicações. “Não se trata apenas de mudança de nomenclatura, e sim de um reagrupamento de programas para facilitar a compreensão de que tipo de pesquisa apoiada pela FAPESP possibilita aplicações possíveis em curto e médio prazos, quais geram conhecimento necessário para a construção de futuras aplicações e quais são os investimentos que asseguram a infraestrutura necessária para a continuidade das pesquisas, de qualquer natureza”, explica Celso Lafer.

Sem título, 1993 Acrílico sobre tela 100 x 180 cm Coleção Particular

Sem título, 1993 Acrílico sobre tela 100 x 180 cm Coleção Particular

Engajamento internacional
A intensa atividade de internacionalização que ocorre na FAPESP ganhou mais visibilidade em dois simpósios no exterior destinados a mostrar o trabalho de cientistas apoiados pela Fundação: o FAPESP Week 2012, que em outubro ocorreu em quatro cidades da América do Norte (Toronto, Cambridge, Washington e Morgantown), e o Fronteras de La Ciência, em dezembro, em duas cidades espanholas (Salamanca e Madri). Em 2013, tais iniciativas prosseguiram, com edições do FAPESP Week no Japão, no Reino Unido e, neste mês, nos Estados Unidos.

O engajamento internacional da FAPESP também levou à realização de um evento para discutir temas que estariam na pauta da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), ocorrida em junho de 2012, a partir das pesquisas realizadas no âmbito de programas da FAPESP como o Biota, sobre a biodiversidade paulista; o Bioen, de pesquisa em bioenergia; e o de Mudanças Climáticas Globais. Paralelamente a esse evento, realizou um seminário para jornalistas de vários estados brasileiros e outros países da América Latina para capacitá-los para a cobertura da Rio+20. Após a conferência, em agosto, a FAPESP realizou o segundo workshop conjunto dos programas Bioen-Biota-Mudanças Climáticas: O Futuro que Não Queremos, que reuniu 149 pesquisadores para avaliar os resultados e discutir o tom da participação de cientistas brasileiros nas próximas reuniões internacionais sobre ambiente e sustentabilidade.

A Fundação também apoiou fortemente o trânsito de pesquisadores, tanto enviando estudantes e cientistas paulistas para o exterior como trazendo pesquisadores de fora. Em 2012 foram contratadas 903 bolsas no exterior, 334% a mais que em 2011. O crescimento se explica, em certa medida, pela criação da Bolsa de Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe), cujos beneficiadostiveram como principais destinos os Estados Unidos, Canadá, Austrália, França, Inglaterra, Espanha, Portugal e Alemanha.

Outra frente importante consistiu em trazer estrangeiros para o Brasil e atrair de voltabrasileiros radicados no exterior. As bolsas de pós-doutorado no país da FAPESP têm sido concedidas a um número crescente de pesquisadores do exterior, atraídos poroportunidades de pesquisa em universidades e instituições do estado de São Paulo. Em 2012, pesquisadores vindos de outros países foram responsáveis por 15% das concessões de bolsas de pós-doutorado, com maior destaque para as ciências exatas e da Terra e ciências biológicas. A Fundação também financiou a vinda de 254 pesquisadores visitantes do exterior no ano passado.

O ano de 2012 marcou a criação de um programa-piloto da FAPESP, as São Paulo Excellence Chairs (Spec), que busca estabelecer colaborações entre instituições do estado de São Paulo e pesquisadores de alto nível que trabalham fora do país. Nesse programa, os pesquisadores seguem vinculados a suas instituições de origem e se comprometem a permanecer no Brasil durante pelo menos 12 semanas ao longo de cada um dos cinco anos mínimos de duração do projeto, coordenando um grupo de bolsistas da FAPESP, entre pós-doutores, doutores e alunos de iniciação científica. Dois projetos temáticos foram aprovados no âmbito do programa no ano passado. Um deles trouxe para o Brasil o casal de cientistas Victor e Ruth Nussenzweig, brasileiros radicados nos Estados Unidos desde a década de 1960, que se tornaram referência na busca de vacinas e tratamentos contra a malária. Andréa Dessen de Souza e Silva, brasileira radicada na França, teve um projeto selecionado no programa para comandar um grupo de pesquisa no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas. “O programa Spec complementa a estratégia de conexões internacionais, criando um fluxo em direção a São Paulo de lideranças internacionais em pesquisa de instituições renomadas”, diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

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