Cinema para o futuro

Publicado em 09/09/2010
31/08/2010, em O EStado de S. Paulo

Nova comédia de Cláudio Torres traz Wagner Moura como um cientista maluco que viaja pelo tempo Antes mesmo que apareçam no campo visual do repórter, as vozes os antecedem. A de Maria Luiza Mendonça, mais baixa e controlada, mas ameaçadora.

A de Wagner Moura, descontrolada. Ele grita. A cena que está sendo filmada é do novo filme de Cláudio Torres, O Homem do Futuro. Wagner faz o protagonista, um cientista que, neste momento da cena, está sendo despedido pela reitora da universidade na qual trabalha. Ele causou dois incidentes que provocaram graves prejuízos para a instituição. Maria Luiza não está para brincadeiras. Wagner Moura, com os cachos dos cabelos meio eriçados, parece um cientista maluco – é um cientista maluco.

O ator admite sentir grande prazer neste retorno à comédia, que não fazia desde Saneamento Básico, de Jorge Furtado. “O clima neste set é uma delícia”, define. Se estivesse trabalhando num drama pesado, ele não tem muita certeza de que resistiria. Wagner é papai recente (pela segunda vez). Morre de saudades do bebê. O que ajuda é a descontração no set de filmagens e as idas ao Rio, sempre que a produção lhe dá uma folga. O Homem do Futuro está sendo feito em Paulínia (e áreas próximas).

Neste sábado, em especial, o set está instalado num local impressionante, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. Partículas. É um conjunto que reúne três laboratórios abertos à comunidade científica e empresarial. A filmagem ocorre no de Luz Sincrotron, que opera o único acelerador de partículas da América Latina (e um dos maiores do mundo).

Aqui é possível utilizar raios-X e raios ultravioletas em estudos de materiais avançados, de Nanociência e Biotecnologia. Na ficção imaginada pelo diretor Cláudio Torres – que trabalha a partir de um argumento original -, o cientista Wagner Moura cria, acidentalmente, durante uma experiência, um buraco negro que vai lhe permitir viajar no tempo. No presente, ele é um homem amargurado – desde uma certa festa, na qual perdeu o amor de sua vida, quando ainda cursava a faculdade. E, agora, ele volta àquele dia – durante uma festa de fantasias -, com a possibilidade de mudar o próprio futuro. “O filme é uma comédia romântica que flerta com a ficção científica”, explica o diretor, filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Quando garoto, Cláudio era um voraz leitor de ficção científica. Jules Verne, H.G. Wells, Isaac Asimov.

Os pais nunca contestaram seu gosto, felizes de ver o filho lendo. Mas um dia lhe passaram um livro – Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
Depois de A Mulher Invisível, Cláudio Torres parece ter encontrado sua praia. O filme comercial, como opção estética e algumas – muitas? – ideias. Para o ator Wagner Moura, a pergunta é inevitável – e o novo Tropa de Elite, que estreia em 8 de outubro? “Para o meu gosto pessoal, o 2 está melhor do que o 1.” Palavra de Wagner Moura, que atiça ainda mais a curiosidade pelo novo filme de José Padilha.

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