Cientistas de Campinas descobrem como vírus da zika afeta o organismo

Publicado em 02/03/2016
Jornal Nacional em 27/02/2016

Link: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/02/cientistas-de-campinas-descobrem-como-virus-da-zika-afeta-o-organismo.html

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 No mundo todo, cientistas correm contra o tempo para descobrir uma vacina contra a zika. Em Campinas, interior de São Paulo, os pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências deram um passo importante para isso: eles desvendaram a estrutura molecular do vírus da zika e descobriram como se dá a infecção no organismo humano.

O grupo de 20 pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências, em Campinas, investigou a camada externa do vírus da zika. Ela é formada por um conjunto de proteínas que se agrupam na superfície dele.

As células do nosso organismo identificam o vírus quando entram em contato com o pedacinho de uma das proteínas, uma espécie de impressão digital. É aí que o sistema imunológico cria anticorpos para combatê-lo.

A pesquisa comparou a estrutura de proteínas do vírus da zika com a de outros vírus e descobriu que ela é mais parecida com a da dengue tipo 1.

“Com essa informação você pode desenvolver moléculas que possam interferir na interação do vírus com o hospedeiro humano”, explica o diretor Kleber Franchini, Laboratório Nacional de Biociência.

Para entender melhor a importância da descoberta feita pelos pesquisadores de Campinas, a reportagem fez uma analogia. Imagine que, no momento em que liga o computador na tomada, seja exatamente o contato do vírus da zika com o nosso organismo, o início da infecção.

Nosso corpo é o filtro de linha e o vírus o computador inteiro. É como se os pesquisadores concentrassem seus estudos no plug do equipamento, entender como ele funciona e como é feita essa conexão. O contato do vírus com nosso organismo.

Desta forma, fica mais fácil barrar a contaminação usando um protetor de tomada. O próximo passo é desenvolver um protetor também para o nosso corpo.

Os pesquisadores direcionam agora o estudo para a criação de formas de combater o vírus da zika e até mesmo para evitar a contaminação.

“Uma forma é a preventiva, que é produzir a vacina. A outra forma é produzir um anticorpo que possa prevenir também a infecção depois que o indivíduo já teve contato com o vírus”, afirma o diretor do Laboratório Nacional de Biociências.
Nota da redação: Na versão em texto publicada no site, no dia 27 de fevereiro, o Jornal Nacional errou ao informar que o laboratório responsável pela pesquisa era da Unicamp. Na verdade, é o Laboratório Nacional de Biociências, de Campinas. A reportagem foi corrigida às 10h39 de domingo, 28 de fevereiro.

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