Cientistas brasileiros participam de estudo das propriedades óticas do grafeno

 MCTI em 31/08/2015
Entendendo melhor o grafeno, ele poderá ser otimizado para a integração em aparelhos como sensores para luz infravermelho, telas planas e TV ou células solares.

Cientistas do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) investigaram as propriedades óticas de grafeno disposto em substratos de nitreto de boro e de dióxido de silício.

Grafeno – uma fina membrana formada por camadas de carbono de um ou dois átomos de espessura – é considerado um dos futuros tijolos da nanotecnologia. Grafeno e combinações de materiais nele baseados, tais como grafeno/nitreto de boro, encontram potenciais aplicações em ótica e aparelhos opto-eletrônicos. Para projetar novos aparelhos óticos, é preciso entender como a matéria interage com o seu próprio ambiente, especialmente com o material em que o grafeno é depositado.

Os pesquisadores usaram a mais nova linha de luz infravermelha construída no LNLS por Raul Freitas e Francisco Barbosa. Há pouquíssimas linhas de luz infravermelha como a desse poderoso equipamento no mundo, e esta foi uma oportunidade única para investigar esses materiais. A linha de luz infravermelha permite a caracterização do material com uma resolução lateral de 50 nm – que é aproximadamente 1000 vezes melhor do que com um microscópio ótico infravermelho comum. Os pesquisadores podem obter muitas imagens de alta resolução, assim como explorar a interação do grafeno com o material subjacente através da espectroscopia no infravermelho.

Christoph Deneke, trabalhando no LNNano e falando pela equipe, explica que essas investigações, juntamente com os espectros em infravermelho obtidos do grafeno/nitreto de boro, ampliam nossa compreensão básica do sistema do material.

“A visão desses resultados nos mostra que essas propriedades óticas do grafeno dependem do substrato subjacente”, ele explica. “Nós aprendemos que, ao contrário dos materiais comuns usados para aparelhos óticos, para o nosso grafeno de espessura nanométrica importa o que está abaixo dele. E nós vemos que o grafeno interage com o material abaixo – a atividade ótica é muito mais alta no dióxido de silício do que no nitreto de boro. Mas ambos os materiais melhoram a atividade ótica comparada com o grafeno puro. ”

Os dados da espectroscopia forneceram uma imagem detalhada da interação do grafeno com a camada de suporte, mostrando que as vibrações de material específico do substrato são responsáveis por propriedades óticas diferentes do grafeno. A equipe de pesquisa espera que, com mais experimentos usando essa instalação única e poderosa, possa entender melhor o comportamento ótico do grafeno e otimizá-lo para a integração em aparelhos futuros como sensores para luz infravermelho, telas planas e TV ou células solares.

Fonte: Cnpem
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