Ciência é motor da produtividade agrícola e da melhoria da qualidade de vida

Publicado em 09/12/2015
Portal do Agronegócio, em 08/12/2015

 

Essa foi a principal mensagem deixada pelos palestrantes do Seminário Caminhos da Ciência e Desenvolvimento

 

Ciência é motor da produtividade agrícola e da melhoria da qualidade de vidaO Seminário Caminhos da Ciência e Desenvolvimento abordou diversos aspectos do conhecimento científico, da origem do universo à origem da vida, passando pelo uso de diversas tecnologias para a produção de alimentos, desenvolvimento de medicamentos e estabelecimento de soluções em energia sustentável. O evento, que ocorreu dia 2 de dezembro, reuniu autoridades acadêmicas e empresariais no Centro Britânico Brasileiro em São Paulo. O encontro é uma parceria entre entidades de fomento à ciência, a exemplo do BNDES, o CNPq, o CNPEM, a Fapesp e a Finep, associações e o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). “Em um momento de crise de confiança generalizada como o que vivemos, é fundamental nos voltarmos para ciência em busca de soluções”, afirmou a diretora-executiva do CIB, Adriana Brondani.

Em palestra de abertura, o físico e diretor do Institute for Cross Disciplinary Engagement, Marcelo Gleiser, percorreu a história do conhecimento científico desde a origem do universo até as aplicações mais recentes. “O universo é uma entidade em constante transformação e a ciência está intimamente ligada às mudanças nos seres humanos e àquelas que nós operamos no meio ambiente”, afirmou Gleiser. Para ele, os recentes avanços mostram que a biologia será determinante para o desenvolvimento da sociedade neste século. “A engenharia genética, a biotecnologia, a bioinformática e áreas afins se converterão em fontes centrais de progresso ao longo dos próximos anos”, previu. Em seguida, o CEO da Recepta, José Fernando Perez, e o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa, Ladislau Martin Neto, deram suas contribuições para o painel “Ciência superando desafios: Sustentabilidade e Qualidade de Vida”.

Para além dos aspectos mais conceituais e das perspectivas para o futuro, o seminário também abordou como a ciência já contribui para a superação de desafios palpáveis. Para falar sobre esse assunto, a diretora do Laboratório de Inovação Genética da Universidade da Califórnia-Davis, Pamela Ronald, compartilhou sua experiência. Ela revelou que desenvolve um arroz geneticamente modificado (GM) e é casada com um agricultor orgânico. “Espera-se que pessoas que trabalham com biotecnologia agrícola e produção orgânica sejam inimigas, mas meu casamento é possível porque nós não estamos focados nos meios, mas nos fins”. Ronald explica que, para conseguir produtividade e sustentabilidade na agricultura, não interessa o modelo agrícola, o mais importante é garantir um resultado que proteja o meio ambiente, facilite a vida do trabalhador rural e aumente a produção de alimentos. O presidente da Oxygen, Andrew Simpson, também comentou sobre os avanços da ciência na área da saúde. Já o representante da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) Henrique Pacini abordou a importância do conhecimento científico para geração e distribuição de energia.

No último painel, foi discutida a interface da ciência com a sociedade. Nessa sessão, moderada por Adriana Brondani, o primeiro palestrante foi o médico infectologista Guido Levi. Ele denunciou os riscos dos movimentos anti-ciência, exemplificando que, em virtude de algumas populações não vacinarem seus filhos, houve retorno de surtos de doenças até então erradicadas. Já no debate, os jornalistas científicos, Herton Escobar e Ulisses Capozzoli, apontaram os desafios para aproximar pesquisa e jornalismo.

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