Brasil sedia edição latino-americana da Hercules

Publicado em 15/07/2011
Assessoria de Imprensa ABTLuS em 15/07/2010

O Hercules (Higher European Research Course for Users of Large Experimental Systems), curso de formação para doutores e pós-doutores na área de radiação síncrotron, comemora 20 anos com uma edição latino-americana, a primeira fora do continente europeu. O curso está sendo realizado no Laboratório Nacional Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, de 12 a 30 de julho, com a participação de 63 pesquisadores brasileiros e latino-americanos. A escolha se justifica: “O Brasil abriga a única fonte de Luz Sincrotron da América Latina. Isto o coloca no rol dos países que dominam este tipo de tecnologia. Além da infraestrutura de equipamentos, o LNLS desenvolve tecnologias, capacita recursos humanos, conta com instrumentação científica e tem importância estratégica para o desenvolvimento científico do continente”, explica Jean René Regnard, diretor da 20ª edição e um dos idealizadores do Hércules. Além da América Latina, a intenção dos organizadores é levar Hércules também para a Ásia e Oceania.

O curso foi concebido em Grenoble, na França, cidade que, por tradição, mantém estreitos os elos entre a indústria, a pesquisa e o ensino. “Lá nêutrons e raios-X foram utilizados desde a década de 60 para caracterização de materiais e em pesquisas biomédicas”, conta Regnard. O principal objetivo é oferecer treinamento para doutores, pós-doutores e cientistas seniores de universidades européias e não européias em áreas que utilizam aplicações de luz síncrotron, como Biologia, Química, Física e Geociências. “A necessidade de formação dos cientistas ainda é muito importante, já que o número de fontes de luz síncrotron tende a aumentar”, ele justifica.

Ao longo de três semanas, os 63 alunos do Hercules assistirão a palestras sobre alguns dos conceitos e avanços mais recentes da pesquisa sobre o uso da radiação síncrotron em matéria condensada, química e biologia.

Os participantes também terão a oportunidade de apresentar um pôster sobre a sua tese ou tópico de investigação, além de participar de experimentos nas linhas de luz do LNLS e de cursos de análise de dados. “O fascinante de trabalhar na formação contínua de pesquisadores é poder ver talentos potenciais com interesse em aprender e a descobrir maneiras de se resolver problemas de investigação e abraçar as evoluções da ciência”, sublinha. Leia a seguir a íntegra da entrevista com Jean René Regnard.

Já se passaram dez anos desde a primeira escola Hercules. Qual é a sua avaliação sobre a evolução do curso para a ciência?
Regnard – O curso Hercules evoluiu muito nestes últimos vinte anos e deve continuar a fazê-lo continuamente para adaptar a ciência e o desenvolvimento das técnicas ao estado da arte. Algumas conquistas podem ser observadas, entre elas, a posição de líder mundial em termos de educação no domínio da utilização de nêutrons e radiação síncrotron. Além disso, entre os 1680 participantes já formados e os mais de 2600 candidatos inscritos, vários tornaram-se cientistas de renome nos estudos de radiação síncrotron e muitos deles agora são palestrantes da escola. As publicações científicas de cada edição da Hercules foram bem recebidas pela comunidade científica internacional e se tornaram modelo de cursos práticos nos países europeus. Outro bônus fantástico é a formação de redes informais de colaboração entre os cientistas com uma fração substancial dos demais participantes conectados às grandes instalações.

Por que o Brasil foi escolhido para sediar a primeira edição da Hercules fora do continente europeu. Quais critérios foram utilizados na escolha?
Regnard – O Brasil abriga a única fonte de Luz Sincrotron da América Latina. Isto o coloca no rol dos países que dominam este tipo de tecnologia. Além da infraestrutura de equipamentos, o LNLS desenvolve tecnologias, capacita recursos humanos, conta com instrumentação científica e tem importância estratégica para o desenvolvimento científico do continente. Mais do que isso: tive a oportunidade de trabalhar com cientistas brasileiros no exterior e já conhecia a qualidade do trabalho desenvolvido aqui.

Qual o impacto internacional da escola Hercules na formação dos jovens cientistas?
Regnard –  Hercules é, hoje, reconhecida internacionalmente. Este reconhecimento está associado com publicações, com o trabalho dos ex-participantes, distribuídos agora por todo o mundo e que indicam aos seus alunos e colegas o mesmo tipo de formação recebida em anos anteriores. Nota-se que a necessidade de formação dos cientistas ainda é muito importante, já que o número de fontes de Luz Síncrotron tende a aumentar. Além disso, as fontes atuais estão sendo atualizadas e os novos tipos de fontes estão sendo desenvolvidos na Europa e em todo o mundo.

A 21ª edição também será em um continente fora da Europa?
Regnard – Pretendemos levar a Hercules para a Ásia e Oceania. Existe demanda na formação de estudantes não só europeus, mas também de outros países. Vinte anos depois, o papel do curso segue sendo muito importante na formação de jovens cientistas. É fascinante de trabalhar na formação contínua de pesquisadores, poder ver talentos potenciais com interesse em aprender e a descobrir maneiras de se resolver problemas de investigação e abraçar as evoluções da ciência.

Os professores e palestrantes são europeus? Como é feita esta seleção?
Regnard – Os palestrantes são selecionados em todo o mundo e o que importa é uma formação científica de excelência. As aulas teóricas são complementadas com aulas práticas e os tutoriais realizados por pequenos grupos de alunos sob a supervisão de cerca de 100 cientistas. Esse conjunto de professores e cientistas forma grande variedade de nacionalidades e tem alto grau de competência. Compromisso e entusiasmo constituem pilares fundamentais para participar do curso.

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