Brasil e Europa se unem pelo etanol de segunda geração

Publicado em 11/07/2013
CTBE promove evento com representantes do projeto internacional ProEthanol2G

Assessoria de Comunicação, em 11/07/2013

Ampliar a produção de combustível renovável por meio de um melhor aproveitamento da biomassa. Esse é o desejo de muitos pesquisadores e empresários brasileiros que focam os seus esforços no bagaço da cana-de-açúcar. O mesmo vale para os europeus e a palha de trigo. Visto que a composição química das duas matérias-primas se assemelham em diversos aspectos, que tal unir esforços para solucionar os principais desafios tecnológicos ligados à produção do etanol de segunda geração?

Este é o propósito dos integrantes do projeto ProEthanol2G, que na última semana estiveram reunidos no Centro Nacional de Energia em Pesquisas e Materiais (CNPEM), em Campinas-SP. A iniciativa possui quatro anos (2011-2014) de duração e contempla seis universidades, um instituto de pesquisa e duas empresas do lado brasileiro. Do lado europeu, são outras 10 instituições participantes. O objetivo principal do projeto é desenvolver um processo tecnológico que integre a produção eficiente de etanol e eletricidade a partir da palha de trigo na Europa, assim como de açúcar, etanol e eletricidade a partir do bagaço e da palha da cana no Brasil.

ProEthanol2G Brazil Meeting reuniu 35 representantes do projeto entre os dias 1o e 5 de julho nas cidades do Rio de Janeiro e Campinas para debater resultados de pesquisas e ações conjuntas. Também integrou o evento, visitas a importantes instituições de pesquisa brasileiras, como ao Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), pertencente ao CNPEM.

No CTBE, os participantes do evento conheceram as instalações de pesquisa voltadas ao estudo de tecnologias de produção de etanol de segunda geração. O destaque é a Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP), que permite o estudo de processos na área em escala semi-industrial.

O diretor do CTBE Carlos Alberto Labate conta que a realização do evento faz parte das ações de internacionalização do Laboratório. “Ao mostrar nossas instalações e estimular a troca de ideias entre o grupo visitante e os pesquisadores da casa, abrimos inúmeras possibilidades de colaborações com renomadas instituições de pesquisa do Brasil e da Europa”, explica Labate.

Após a visita, uma série de palestras sobre biorrefinarias de etanol de segunda geração foram apresentadas no auditório do CTBE. A líder do projeto no Brasil, a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Elba Bon abriu a sessão explicando as diretrizes básicas do ProEthanol2G e os objetivos de pesquisa de cada um dos oito Workpackages. Estes atuam em assuntos como a conversão do etanol de segunda geração e outros materiais, processos de destilação a baixas temperaturas, avaliação da integração de tecnologias e estudos sobre sustentabilidade da cadeia produtiva.

Outra palestra de destaque foi a de Jesper Dohrup, pesquisador da Inbicon, empresa pertencente ao grupo dinamarquês DONG Energy. Dohrup mostrou detalhes do processo de conversão da palha de trigo utilizado na usina de Kalundborg. Inaugurada em novembro de 2009, a planta testa o processo em escala quase comercial. A usina pode converter quatro toneladas de palha por hora, o equivalente a 30.000 toneladas métricas por ano. Ela gera 5,4 milhões de litros etanol por ano, juntamente com outros dois produtos renováveis.

No Brasil, a Inbicon se juntou à Odebrecht Agroindustrial para desenvolver um processo de produção de etanol de segunda geração a partir da biomassa da cana-de-açúcar. A proposta aprovada no programa PAISS (BNDES/FINEP) contará com a participação do CTBE na simulação e avaliação de impactos socioeconômicos e ambientais de diversos cenários nos quais a tecnologia desenvolvida é utilizada.

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