Brasil e China criarão centro de pesquisa em nanotecnologia

Publicado em 15/08/2011

novação Unicamp em 15/08/2011

Por Carlos Orsi

Brasil e China devem formalizar, no fim de agosto, uma parceria para a criação de um centro binacional de nanotecnologia, área que lida com o desenvolvimento e manipulação de partículas e objetos extremamente pequenos, na escala de milionésimos de milímetro.

O centro será inicialmente virtual, sob a forma de uma rede de pesquisadores e de intercâmbio entre os dois países. “Havendo intenções de continuidade e crescimento, ou sendo mantidas as que existem, poderá vir a existir um centro com identidade e comunidade física”, disse em entrevista a Inovação Unicamp o diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), Fernando Galembeck.

O LNNano funcionará como centro de operações e sede do órgão binacional. O laboratório fica no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, que já abriga o Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), o Laboratório Nacional de Biociência (LNBio) e o de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

De acordo com Galembeck, além do LNNano, pelo lado brasileiro, estarão envolvidos no novo centro uma rede virtual de pesquisadores de nanotecnologia, baseada em Minas Gerais, e o Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia (LabNano) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), do Rio de Janeiro.

O diretor do LNNano diz que existem pelo menos 15 instituições, no Brasil, que recebem verbas federais e trabalham com, ou têm foco em, nanotecnologia. “Nanotecnologia, no singular, é uma simplificação quase grosseira. Prefiro falar em nanotecnologias”, disse ele, explicando a multiplicidade dos centros de pesquisa, que inclui um Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio, da Embrapa, instalado na cidade paulista de São Carlos.

“O campo oferece soluções ou respostas para qualquer setor industrial, serviços, agricultura e, até, para a mineração. As várias nanotecnologias são muito diferentes entre si”, e portanto requerem diferentes abordagens em diferentes condições, explicou.

No caso específico do LNNano, a diretriz geral é o uso da nanotecnologia para a sustentabilidade. “Espero que isso também seja parte importante da parceria binacional”, afirmou o diretor, que deve acompanhar o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, em viagem a Pequim para a assinatura do acordo.

Ele cita, como exemplo do que é possível fazer no campo de resíduos agrícolas, a descoberta de que as cinzas da casca do arroz contêm partículas nanométricas de sílica, que podem ser usadas para aumentar a resistência do cimento à compressão. “Essas partículas também têm aplicações na fabricação de vidro, cerâmica e na indústria química.”

Galembeck espera que a nanotecnologia aplicada à sustentabilidade possa encontrar também soluções que tornem úteis outros tipos de resíduo, como as cinzas do bagaço de cana. “No Brasil são produzidos 4 bilhões de toneladas anuais dessas cinzas, e crescendo”, disse ele.

“As fornalhas, hoje, são otimizadas pelo desempenho térmico. Mas tenho certeza de que também podem ser otimizadas tendo em vista o que vai sair delas como resíduo, que poderá ter várias aplicações capazes de agregar valor”, acrescentou. “O que vemos como poluição e lixo, hoje, na verdade é dinheiro perdido.”

A parceria com China, disse o diretor do LNNano, acontece de forma independente de outros acordos internacionais do Brasil para pesquisar o assunto, como os que já vigoram envolvendo Índia e Argentina. “São acordos estratégicos, bilaterais. Não se trata da formação de um bloco”.

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