Pesquisadores desenvolvem método para criar chips microfluídicos de vidro

Agência Gestão CT&I em 02/09/2015

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Pesquisadores do Laboratório de Microfabricação (LMF) do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) desenvolveram um novo método para a fabricação simples e rápida de dispositivos multifluídicos de vidro. O material poderá ser usado na criação de canais multifluídicos entre duas superfícies de vidro com a retirada seletiva de uma camada de selagem adesiva. De acordo com dados do estudo, a técnica demanda menos tempo e utiliza condições de temperatura e pressão mais baixas que as utilizadas por métodos convencionais.

Os responsáveis pela pesquisa foram o pesquisador Renato Sousa Lima, a especialista em microfabricação Maria Helena de Oliveira Piazzetta e o coordenador do LMF, Angelo Luiz Gobbi. O trabalho ainda contou com a colaboração do professor Emanuel Carrilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da Universidade de São Paulo (USP).

Um dos principais empecilhos para o uso de plataformas de análise miniaturizadas é o alto custo dos processos. Isso vale tanto para o meio industrial quanto para as pesquisas acadêmicas. Assim, o método criado no LNNano representa uma alternativa para a construção desses dispositivos, que têm aplicação em diagnósticos clínicos, monitoramento ambiental e controle de qualidade em linhas de produção de fábricas, por exemplo.

Segundo Renato Sousa Lima, o método permite a fabricação de chips de vidro mediante um protocolo simplificado e compatível com larga escala que exige a aplicação de temperaturas elevadas – acima de 95°C. O método batizado de sacrifical adhesive bonding (SAB) consiste, inicialmente, em uma selagem adesiva convencional, na qual uma camada intermediária promove a adesão irreversível entre diferentes lâminas de vidro. Posteriormente, se dá a remoção seletiva dessa camada apenas na região do canal microfluídico, de modo a obter microcanais com propriedades equivalentes ao vidro.

O pesquisador argumento ainda que desafios e soluções inovadoras foram alcançados no tocante ao desenvolvimento de rotas que possibilitassem a remoção da camada intermediária apenas na região do microcanal. “Ainda há muito o que percorrer. Novas melhorias seguem em fase de estudo no LMF. Nosso objetivo é combinar dois aspectos contradizentes em microfluídica: a construção de dispositivos de alto desempenho analítico e a fabricação simples, rápida e barata de sistemas point-of-use [para análises in situ]”, destaca Renato Sousa Lima.

Os resultados alcançados na pesquisa foram publicados pela revista “Scientific Reports-Nature”. O artigo pode ser encontrado neste link. Além disso, o método SAB gerou uma patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), cujo número de registro é: BR1020140126309.

(Agência Gestão CT&I, com informações do CNPEM)

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