Poluição de carros pode ter redução drástica com nanopartículas de ouro

Portal G1, em 3/09/16

 

Pesquisa foi feita no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas. Uso do material também reduziria custos na produção de catalisadores.

Cristiane Rodella, pesquisadora, junto a acelerador de partículas do LNLS (Foto: Divulgação/LNLS)

Cristiane Rodella, pesquisadora, junto a acelerador de partículas do LNLS (Foto: Divulgação/LNLS)

Um catalisador que utiliza nanopartículas de ouro desenvolvido no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, pode atuar sobre até 95% dos poluentes emitidos por motores de veículos. Um artigo sobre a pesquisa iniciada por um cientista sul-africano e desenvolvida no Brasil foi publicada na revista Chemical Science, de julho.

A vantagem dessa nova substância é sua capacidade de funcionar mesmo em temperatura ambiente, o que não ocorre nos catalisadores veiculares usados atualmente. Eles só funcionam em altas temperaturas, quando o motor está quente.

Pó de catalisador com nanopartículas de ouro (Foto: Divulgação/LNLS)

Pó de catalisador com nanopartículas de ouro (Foto: Divulgação/LNLS)

O problema é que até atingir a temperatura ideal para que o catalisador reduza a toxidade dos gases do motor, o que pode demorar cerca de cinco minutos ou mais em dias frios, os veículos emitem 95% dos poluentes que vão para o meio ambiente no período em que estão funcionando.

O trabalho começou a ser desenvolvido pelo químico Dean Barret na África do Sul, onde ele fez sua tese de doutorado sobre as atividades catalíticas do ouro. Como o país tem grandes reservas de ouro, há muito interesse em pesquisar diferentes aplicações para o metal.

Conhecendo a capacidade do ouro de funcionar como catalisador potente quando dividido em nanopartículas, o objetivo passou a ser descobrir qual seria a melhor estrutura para aumentar sua eficiência.

Barret veio então para o Brasil para fazer suas pesquisas no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP). A física brasileira Cristiane Rodella começou a trabalhar com Barret na pesquisa. Por meio de reações químicas, buscaram a estrutura ideal e que tivesse resistência a altas temperaturas.

Essas diferentes estruturas eram analisadas no acelerador de partículas. A estrutura considerada ideal veio em formato de um conjunto de hastes de óxido de titânio, com aparência de um porco-espinho, com as nanopartículas de ouro depositadas em suas pontas.

Estrutura com óxido de titânio com nanopartículas de ouro (Foto: Divulgação/LNLS)

Estrutura com óxido de titânio com nanopartículas de ouro (Foto: Divulgação/LNLS)

“Primeiro vimos que elas já funcionava a partir dos 25 graus, que seria a temperatura média no Brasil, e testamos sua resistência até 800 graus. Ela não sofreu alterações significativas, o que garante que ela resiste a temperaturas dos motores”, disse Cristiane.

Para que o resultado da pesquisa seja aproveitado e utilizado em catalisadores de veículo, ainda é preciso que haja parcerias com outros centros de pesquisa ou de empresas interessadas em desenvolver o produto. Os pesquisadores desenvolveram a substância ideal para o processo, que é um pó de tom azulado, mas agora fazer virar um produto disponível para as montadoras é uma questão de engenharia.

Quanto à viabilidade econômica do uso do ouro, Cristiane diz que ele é mais barato do que os materiais usados atualmente. “Além de reduzir a poluição de forma importante, também diminuiria os custos de produção. Atualmente são usados platina, paládio e rádio, que são bem mais caros que o ouro”, explica Cristiane.

 

Repercussão: Jornal Floripa

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