Ferramentas de SIG são aliadas aos estudos de sustentabilidade dos sistemas de produção de cana-de-açúcar

Publicado em 17/12/2015
Embrapa, em 15/12/2015.

 

Sergio Torquato - Plantação de cana

Entre os dias 11 a 13 de novembro de 2015 pesquisadores do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, da Apta-UPD – Tietê, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), membros do Projeto SustenAgro, apresentaram trabalhos no 10º Congresso sobre Geração Distribuída e Energia no Meio Rural.

O SustenAgro, liderado pela Embrapa Meio Ambiente, prevê o levantamento de dados dos sistemas de produção mais representativos dessa cultura nas regiões e microrregiões do Centro Sul do Brasil. Visa desenvolver uma nova metodologia para avaliar a sustentabilidade dos sistemas de produção de cana-de-açúcar.

“O monitoramento da expansão da cana-de-açúcar torna-se fundamental e as imagens de sensoriamento remoto apresentam potencial para contribuir com esse tipo de análise, pois possuem capacidade para identificar sobre quais usos da terra esta cultura tem se expandido”, explica Katia de Jesus, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do projeto.

A equipe apresentou o embasamento técnico para uma proposta metodológica para avaliação do uso e expansão da cana-de-açúcar utilizando a abordagem de Landscape Design, conceito que visa a análise sustentável da paisagem levando em consideração aspectos ambientais e socioeconômicos e sua influência, empregando ferramentas de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Essa metodologia sugere que os mapas gerados devem ser considerados como um ponto de partida para políticas públicas.

Também foi feita a avaliação da expansão da cultura segundo os critérios de sustentabilidade da Diretiva Europeia (2009/28/CE-DE), em estudo piloto na região de Rancharia, SP. De acordo com os critérios da Diretiva Europeia, os biocombustíveis não devem ser produzidos a partir de matérias-primas provenientes de terrenos ricos em biodiversidade.

Rancharia foi a cidade escolhida para a análise porque, de acordo com o projeto Canasat do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre as safras de 2007 e 2013, a área plantada aumentou aproximadamente 200%. De acordo com os dados obtidos, a expansão ocorreu principalmente sobre áreas onde antes eram pastagens e solo exposto, e não expandiu para áreas de vegetação natural, ou seja, houve o cumprimento da Diretiva.

O cenário agroenergético da cana no estado de São Paulo também foi avaliado utilizando SIG, com o objetivo de analisar a sensibilidade das áreas utilizadas para a produção de cana, integrando indicadores ambientais e socioeconômicos. A metodologia consistiu em classificar variáveis socioeconômicas e ambientais, associadas a produção de cana, em três graus de sensibilidade: alta, média e baixa.

Foi possível observar que as áreas com cana estavam localizadas principalmente nas regiões norte, oeste e central do Estado. Essas áreas possuem alta correlação com o mapa de declividade, pois as máquinas de plantio e colheita de cana têm limitações referentes a declividade do terreno. O mapa de aptidão agrícola e o do zoneamento agroecológico da cana, produzido pela Embrapa, indicou as regiões oeste e central do Estado como as áreas mais aptas para expansão da cana.

Foram apresentados também resultados sobre os estudos do potencial da cana-de-açúcar e seus co-produtos, já que as usinas processadoras são grandes geradoras também de vinhaça, que até pouco tempo era considerada um resíduo da produção de etanol.

Grande parte deste co-produto é utilizado como fertilizante na lavoura de cana-de-açúcar. A tecnologia de biodigestão da vinhaça produz o “biogás” com teor de 80% de metano que tem grande potencial energético. O estado de São Paulo produz em média 11,8 litros de vinhaça para cada litro de etanol produzido, fato que chama a atenção para a necessidade de destinação adequada desse resíduo. Também foi analisado o potencial de uso da vinhaça como fonte para produção de bioeletricidade, com a consequente minimização do seu descarte.

A pesquisadora Katia de Jesus, líder do Projeto SustenAgro, agradece os autores dos estudos Cauã Miranda e Núria Rampazo (Unicamp) e Sérgio  Torquato (APTA Regional, UPD – Tietê) e os co-autores que colaboraram com essas pesquisas: Michelle Picoli e Daniel Duft (Centro de Tecnologia do Bioetanol – CTBE – Campinas/SP), Archimedes Perez Filho e Pedro  Machado (Unicamp).

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone